A Nova Era da Inteligência Artificial: Foco na Infraestrutura
A corrida em torno da inteligência artificial no mercado financeiro passou por uma transformação significativa. Inicialmente, o foco estava apenas nos algoritmos, mas agora a atenção se volta para a base física que sustenta essa tecnologia: a infraestrutura.
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A fronteira da IA ultrapassa as grandes empresas de tecnologia, como Google e Microsoft, e envolve diversos setores, redefinindo o mapa de investimentos em áreas como energia, data centers e infraestrutura em geral.
O CIO do EFG Private Wealth Management, Luis Ferreira, detalha que a IA deixou de ser apenas um problema de programação e se tornou um desafio de capacidade física. A escala da IA depende agora de investimentos em hardware, prazos e aprovações. A importância da energia e dos data centers se tornou evidente, aparecendo frequentemente em discussões entre reguladores e governos, indicando que o tema está na agenda de infraestrutura.
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Empresas Chave na Infraestrutura de IA
Diversas empresas se beneficiam diretamente do crescimento da IA. Fabricantes de hardware e semicondutores, como Nvidia e AMD, além da TSMC (fabricação) e ASML (equipamento), são peças centrais para a capacidade de rodar a IA. Aceleradores de IA (TPUs) do Google representam uma alternativa relevante à Nvidia, enquanto acordos bilionários, como o entre Oracle e OpenAI, reforçam o papel estratégico da infraestrutura de nuvem.
O analista da Empiricus Research, Enzo Pacheco, ressalta que todo o ecossistema é impactado por essa expansão.
A Importância da Energia
Um gargalo inesperado surgiu com a expansão dos sistemas de IA: a energia elétrica. Empresas como Vistra e Constellation Energy viram suas ações subirem devido à sua principal função de fornecer energia nuclear para data centers, fechando acordos diretos com as grandes empresas de tecnologia.
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O analista da Empiricus, Pacheco, destaca que a temática da energia é crucial, pois a demanda está crescendo e investimentos serão necessários. A energia nuclear é vista como uma parte importante, e soluções práticas estão sendo buscadas para atender essa demanda.
Impacto no Brasil e Riscos
No Brasil, a captura de valor pela IA ocorre principalmente através da eficiência operacional de empresas já estabelecidas. A WEG é frequentemente mencionada como a principal beneficiária, devido à sua liderança em equipamentos de eletrificação e automação.
O Bradesco e o setor bancário também podem ganhar eficiência na automação de tarefas e gestão de risco. A Telefônica Brasil (Vivo) pode expandir serviços digitais, e a Localiza pode otimizar a alocação de frota. O varejo e a indústria de alta tecnologia também estão envolvidos.
O Magazine Luiza busca ganhos logísticos e personalização de conteúdo, enquanto a Totvs pode embutir a tecnologia em seus softwares. A Embraer utiliza a IA para reduzir problemas na sua cadeia de suprimentos. A Axia Energia e outras elétricas também têm potencial de capturar valor.
Considerações Finais
O professor do Insper, Raul Ikeda, complementa que, à medida que a tecnologia se consolida, setores de segurança da informação e consultorias especializadas ganharão relevância. Uma aposta mais distante é o setor de embarcados e edge computing, com hardwares especializados aplicados em veículos, dispositivos vestíveis e sistemas industriais.
Para o investidor brasileiro, Luis Ferreira adverte sobre os riscos do dólar e da concentração em poucos fornecedores. O tema é estrutural e deve persistir por anos, mas o preço dos ativos em reais pode oscilar drasticamente.
