IA AMEAÇA 15% DOS TRABALHADORES DO CONHECIMENTO NOS EUA

Carson Block, fundador e CEO da Muddy Waters Capital, emitiu um alerta significativo nesta segunda-feira, 22, sobre os profundos impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho e nas finanças globais. Em uma análise desenvolvida no podcast Merryn Talks Money e amplamente divulgada pelo Business Insider, o economista sugere que o desemprego em larga escala gerado pela tecnologia pode comprometer o fluxo de capital que sustenta as bolsas de valores em Nova York, abrindo caminho para a necessidade de uma renda básica universal.
Block estima que cerca de 15% dos profissionais considerados “trabalhadores do conhecimento” nos Estados Unidos correm risco de perder seus empregos nos próximos anos.
O Impacto Estrutural da IA no Mercado de Trabalho
A projeção de Block aponta para um cenário de transformação radical em setores altamente especializados. Estima-se que o número de pessoas empregadas em áreas como tecnologia, direito e finanças — um total de aproximadamente 100 milhões de profissionais — possa ser drasticamente afetado pela automação.
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O setor jurídico, por exemplo, é citado como um campo onde modelos de linguagem avançados, como o da Anthropic, já demonstram capacidade de compilar e organizar informações com tal eficiência que podem eliminar “incontáveis horas faturáveis” de trabalho humano.
O gestor ressalta que a natureza desta crise de empregos é estrutural, diferenciando-se de recessões passadas. Em ciclos econômicos anteriores, os postos de trabalho perdidos tendiam a ser repostos com a recuperação do crescimento ou os trabalhadores conseguiam transicionar para outras funções.
Contudo, no cenário da IA, ele argumenta, “aqueles empregos foram embora, e o número de cadeiras para humanos vai continuar diminuindo”.
Essa mudança representa um desafio inédito, pois o ritmo de substituição de funções humanas pela capacidade tecnológica é acelerado e permanente, exigindo uma reavaliação profunda dos modelos de emprego e renda.
Conexão entre Desemprego Tecnológico e a Estabilidade da Bolsa
Segundo a lógica apresentada por Block, o desemprego em massa gerado pela IA possui uma conexão direta com a saúde do mercado financeiro, especialmente através do sistema de previdência privada. Quando os trabalhadores perdem sua fonte de renda principal, o comportamento financeiro tende a mudar drasticamente.
Nesses casos, é provável que os indivíduos recorram aos recursos acumulados em suas contas de previdência para cobrir despesas cotidianas, diminuindo significativamente os aportes mensais. Esse movimento de resgates, somado ao fluxo natural de uma geração de estadunidenses que se aproxima da idade de aposentadoria, pode reverter as entradas líquidas de capital em saídas líquidas, exercendo pressão de baixa sobre os preços dos ativos.
O mercado reflete essa tensão: o S&P 500 operava em queda de 0,35%, atingindo 7.474 pontos por volta das 11h18, no horário de Brasília. O especialista alertou ainda que o avanço dos fundos passivos agrava o cenário, pois a diminuição de gestores ativos no mercado reduz o número de compradores dispostos a absorver eventuais quedas de preços.
Block comparou a fragilidade estrutural criada pelo investimento passivo a momentos de grande instabilidade, lembrando o período que antecedeu a crise financeira global de 2008. Essa análise de risco reforça a necessidade de cautela no setor financeiro.
Visão de Futuro e o Conceito de Renda Básica
Apesar do tom pessimista em relação à transição de mercado, o especialista também apresentou uma perspectiva mais otimista sobre o futuro da renda. Inicialmente cético em relação ao potencial da IA até fevereiro, sua visão foi modificada após o lançamento de ferramentas de nova geração, que o convenceram da existência de uma “economia real de trabalho” a ser explorada.
Block projeta que, para a classe média, a renda gerada por essa nova economia será suficiente para cobrir custos de lazer, viagens e pequenos empreendimentos, em um período estimado de dois a três dias de trabalho. No entanto, para os segmentos mais vulneráveis, ele aponta a necessidade de um suporte mais robusto, sugerindo que o acesso a um padrão de vida digno pode exigir uma reavaliação do modelo econômico atual, apontando para a necessidade de mecanismos de suporte que garantam o mínimo existencial.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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