A Internet em Transformação: O Apogeu da “Morte da Internet“?
O debate sobre o papel da inteligência artificial na criação de conteúdo – artigos, posts e relatórios – continua intenso. Uma nova perspectiva emerge, questionando se estamos presenciando o ápice da chamada “teoria da internet morta”. Essa teoria, que ganhou força nos últimos anos, sugere que desde 2016, uma parcela significativa do conteúdo online deixou de ser produzido majoritariamente por humanos, sendo agora gerado por sistemas automatizados e modelos de IA.
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A ideia, inicialmente vista como uma teoria conspiratória, reflete uma realidade crescente: a automação da rede. A tese central é que o aumento do tráfego artificial, a inflação de interações por robôs e a manipulação de narrativas por sistemas automatizados podem levar a uma predominância de conteúdo gerado por IA em pouco tempo.
Estimativas apontam para um possível volume de 90% ou mais em alguns anos. O ponto crucial é que a presença humana na internet deixou de ser um pressuposto, tornando-se um diferencial valioso.
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A Realidade Digital em 2026
Observe como a produção de conteúdo, tanto a sua quanto a de marcas e influenciadores que você segue, tem sido cada vez mais sugerida por modelos de linguagem como o GPT. Textos, vídeos e carrosséis com temas gerados por IA, imagens criadas por geradores visuais e locuções sintetizadas por voz artificial se tornaram comuns.
A distribuição é feita por algoritmos que conhecem seus hábitos e preferências com precisão cirúrgica.
Em ambientes online, perfis robotizados interagem com frases feitas e perguntas sem pé nem cabeça, enquanto bots oferecem produtos, serviços e promessas de ganho rápido. O ambiente digital, antes caótico e humano, começa a adquirir uma textura sintética, tão natural quanto robôs humanoides dançando kung-fu em eventos de inovação.
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Reconhecimento da Dificuldade
CEO’s de grandes empresas de tecnologia reconhecem a dificuldade crescente de distinguir o que é produzido por humanos do que é gerado por inteligência artificial. Eles afirmam que a fronteira entre os dois se tornou difusa e que essa fronteira continuará se movendo.
Plataformas concebidas para interação exclusiva entre IAs, onde humanos apenas observam, e ambientes em que algoritmos produzem, comentam e retroalimentam conteúdos em escala industrial, surgem como experimentos radicais.
A Erosão da Confiança
Diante do aumento da facilidade na produção de conteúdo, a pergunta surge: o que diferencia marcas, executivos e criadores? A resposta reside na confiança, que não nasce da perfeição técnica, mas da coerência ao longo do tempo, da percepção de autoria e da sensação de que há alguém real por trás do que está sendo dito.
A internet vive de algoritmos e volume, e nesse ambiente, a erosão da confiança se torna um efeito colateral.
Conteúdos excessivamente polidos, genéricos ou intercambiáveis geram suspeita. A audiência aprende a reconhecer padrões sintéticos, e quando tudo parece possível de ser gerado, passa a ter valor aquilo que não é facilmente reproduzível.
O Futuro da Autoria
Não devemos abandonar a inteligência artificial, pois ela é uma das maiores revoluções tecnológicas desde a internet. A IA é uma ferramenta poderosa de apoio, pesquisa, organização e escala. O erro estratégico não está no uso da tecnologia, mas na terceirização integral da autoria.
A ironia é que vivemos a era da inteligência artificial, mas corremos o risco de mergulhar na era da inteligência ausente – quando há tecnologia de sobra e discernimento de menos.
Como se destacar nesse novo cenário? Fortalecendo o lastro humano: bastidores reais, reflexões consistentes, estudos de caso vividos, decisões explicadas a partir da própria experiência. Opiniões sustentadas ao longo do tempo, coerentes com trajetória e posicionamento.
A internet não está “morrendo”. Está apenas trocando de pele. E, como toda mudança na natureza, ela exigirá mais responsabilidade.
