Retorno Financeiro da IA no Brasil Ainda é Desafiador
Apesar da rápida popularização da inteligência artificial em diversas estratégias de negócios, o retorno financeiro da IA no Brasil ainda é um desafio para a maioria das empresas. Um levantamento recente da Totvs revelou que apenas 7% das empresas que implementaram a tecnologia conseguiram comprovar um retorno sobre o investimento.
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O estudo aponta uma diferença significativa entre a adoção da IA e a obtenção de resultados econômicos mensuráveis. Segundo a Semantix, o principal problema reside na forma como os projetos são estruturados. Iniciativas que não estão diretamente ligadas aos objetivos de negócio e que carecem de critérios claros de sucesso, geralmente não geram um impacto financeiro relevante.
“Muitos projetos nascem sem indicadores definidos. Nesses casos, o retorno financeiro da IA não aparece”, afirma Plínio Martins. Para tentar diminuir essa lacuna, a Semantix tem adotado uma abordagem focada em provas de valor de curto prazo. Os ciclos de implementação têm duração limitada a 30 dias e são iniciados a partir de um problema específico do negócio.
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As métricas priorizadas incluem a redução de custos, o aumento da produtividade ou a melhoria da eficiência operacional, acompanhadas da entrega de um Produto Mínimo Viável (MVP) com dados mensuráveis. Segundo Martins, as decisões de orçamento dependem da demonstração rápida de valor econômico.
Outro fator crucial é o envolvimento direto da alta gestão. Estudos internos da Semantix indicam que empresas mais maduras em IA apresentam uma participação significativamente maior de CEOs e diretores nos projetos. Sem esse patrocínio, as iniciativas tendem a permanecer restritas a pilotos isolados, com baixo impacto no retorno financeiro da IA.
A Semantix adota um modelo que combina consultoria estratégica e execução tecnológica, conhecido internamente como “Think + Do”. A proposta é cocriar soluções desde o início e assumir compromissos mensuráveis, alinhados a problemas concretos do negócio, visando reduzir o risco de investimentos sem retorno comprovado.
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A governança também passou a integrar a fase inicial dos projetos. A Semantix desenvolve os sistemas com princípios de compliance by design, alinhados a padrões como ISO 27001, NIST, OWASP e Cloud Security Alliance. A empresa utiliza a plataforma Safetix para monitorar o uso de dados, detectar desvios e gerar evidências auditáveis, antecipando exigências regulatórias como a LGPD, o PL 2338 e o AI Act europeu.
Alexandre Caramaschi acredita que a próxima fase da transformação digital será marcada pela expansão de agentes autônomos de IA. Esses sistemas são capazes de executar processos completos, como prospecção comercial, automação de vendas e otimização operacional.
Em alguns projetos, já foram registrados ganhos de receita entre 7% e 12%, além de redução de até 50% no tempo de execução de tarefas.
Esses resultados, segundo Caramaschi, só se sustentam com controles rigorosos. A empresa adota frameworks como NIST AI RMF e MITRE ATLAS, além de testes red e blue team, monitoramento contínuo e supervisão humana em etapas críticas. O objetivo é garantir rastreabilidade, auditoria e segurança operacional.
A mudança cultural aparece como outro fator determinante. Sem capacitação de lideranças e equipes, a IA não escala. O foco envolve o uso responsável da tecnologia, a gestão de riscos e o desenvolvimento de competências técnicas. Quando os profissionais compreendem os limites e as aplicações práticas da IA, a adoção tende a gerar um impacto mais consistente no retorno financeiro da tecnologia.
