Inteligência Artificial Redefine Pagamentos no Brasil, Mas Toque Humano Permanece Chave
O avanço da inteligência artificial está redefinindo profundamente os métodos de pagamento no Brasil. Contudo, os especialistas reunidos no Zoop Payments Leadership SXSW, realizado em São Paulo nesta terça-feira, dia 8, enfatizaram que a capacidade humana continua sendo um diferencial estratégico crucial.
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O evento reuniu diversos executivos e especialistas para analisar as tendências observadas no South by Southwest (SXSW), em Austin, EUA, e discutir seus impactos diretos no cenário nacional.
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Visão de Mercado e Inovação em Pagamentos
Na abertura, Cesário Martins, CEO da empresa do iFood, abordou os pilares para empresas que almejam atuar como bancos ou fintechs. Ele ressaltou o prestígio tecnológico do país, afirmando que o Brasil hoje exporta o Pix, sendo uma referência global na tecnologia.
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O executivo também destacou o crescimento do tap to pay, tecnologia que transforma smartphones em maquininhas, apontando-a como um forte vetor para a inclusão financeira no país.
SXSW e a Convergência de Tendências
Em seguida, Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop, apresentou um panorama do SXSW 2026. Um ponto alto foi a forte participação brasileira, que formou a segunda maior delegação do evento, com iniciativas como Casa Minas e Casa São Paulo.
A executiva discutiu o conceito de convergências, trazido pela futurista Amy Webb, abordando temas como human augmentation — a ampliação das capacidades humanas por meio de tecnologia — e o papel crescente de agentes de IA no consumo, citando o Google UCP.
A Importância da Intuição e do Julgamento Humano
A jornalista Christiane Pelajo focou na tomada de decisão, citando Steven Spielberg para ilustrar que “a intuição é um sussurro, não um grito”. Ela observou que, embora a IA automatize funções no mercado de trabalho, o papel humano migra para o de orquestradores.
Andrea Fernandes, representando a Publicis Groupe Brasil, alertou sobre as lacunas de treinamento geradas pela adoção da IA, que podem causar sobrecarga cognitiva. Ela mencionou também o uso de digital twins, réplicas digitais, e a necessidade de análise crítica dessas ferramentas.
O Protagonismo Brasileiro e o Valor do Ser Humano
Marcelo Gripa, CEO da consultoria Futuros Possíveis, apresentou dados de uma pesquisa inédita, reforçando o protagonismo brasileiro e a centralidade do celular como principal hub financeiro. O levantamento mostrou que 61% dos entrevistados se sentem seguros em usar o celular do vendedor como maquininha.
Vanessa Mathias, cofundadora da White Rabbit, enfatizou o valor crescente dos atributos inerentemente humanos. Segundo ela, quanto mais a IA se assemelha ao comportamento humano, mais essenciais se tornam elementos como a emoção, vista como um amplificador cognitivo.
Economia Criativa e Projeções Futuras
Ricardo Natale, CEO da Experience Club, complementou que a vantagem competitiva reside no julgamento, e não apenas na tecnologia. Por sua vez, Marcelo Vieira, diretor de negócios do TikTok Brasil, discutiu a creator economy, alertando que o aumento de conteúdo gerado por IA torna a autenticidade um recurso cada vez mais escasso.
Lucas Pestalozzi, da consultoria HSR, projetou que bots superarão o tráfego humano até 2027, recomendando que as empresas assumam um papel ativo na transformação digital.
Comportamento do Consumidor Brasileiro com Tecnologia
A pesquisa “Meios de pagamentos no Brasil – Onde estamos e para onde vamos”, realizada pela Zoop em parceria com Futuros Possíveis e PiniOn, revela um padrão de alta adesão tecnológica no país, mesmo sem pleno entendimento dos conceitos. O Pix lidera com 76% de uso.
Embora funções mais complexas, como parcelamentos automáticos, ainda tenham adesão abaixo de 30%, o celular permanece como ferramenta financeira principal. Os dados indicam que 40% dos entrevistados já pagaram usando o aparelho do vendedor.
Sobre a IA, 61% afirmam considerar o uso da inteligência artificial para compras, mesmo que 85% desconheçam o conceito de “pagamento agêntico”. Martins concluiu que o brasileiro se mostra um early adopter, sinalizando uma grande oportunidade de mercado com infraestrutura já disponível.
