Mercado de Ações em Alta com Trégua entre EUA e Irã
O mercado acionário brasileiro iniciou um movimento de recuperação, impulsionado pela trégua temporária anunciada entre Estados Unidos e Irã. O Ibovespa acompanha a tendência dos mercados globais, operando com alta acentuada. Contudo, uma das ações mais pesadas do índice, a Petrobras, sofreu um impacto significativo devido aos eventos no exterior.
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Nos primeiros momentos de negociação, o índice atingiu um novo recorde intradiário, ultrapassando a marca de 193 mil pontos. Até as 10h13, no horário de Brasília, as ações da Petrobras ainda estavam em leilão. O barril do Brent, referência para o setor de petróleo, despencou mais de 16%, marcando a maior queda diária em seis anos.
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Queda do Petróleo e Reações Globais
A cotação do petróleo, que havia chegado a US$ 120 no mês anterior, agora flutua em torno de US$ 90. O WTI registrou uma queda de 18%, situando-se em US$ 92,66. A mudança ocorreu após o presidente americano Donald Trump aceitar o cessar-fogo proposto pelo Paquistão na noite anterior.
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O Contexto Geopolítico e o Dólar
Inicialmente, o republicano havia emitido uma ameaça na rede social Truth Social, exigindo que o Irã reabrisse o estreito de Ormuz até as 21h de ontem, horário de Brasília. Naquele mesmo momento, o dólar operava em R$ 5,07, registrando uma queda de 1,64%.
Bolsas Americanas e Europeias em Recuperação
Os futuros das bolsas de Nova York dispararam após o anúncio do cessar-fogo. Os contratos do Dow Jones subiram 2,8%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 avançaram 2,9% e 3,5%, respectivamente. Esse movimento reflete o alívio com o fim, ainda que momentâneo, de um conflito que perdurou por cinco semanas.
Destaques no Mercado Americano
As ações que mais sofreram durante a crise lideraram a recuperação no pré-mercado. Nvidia e Amazon saltaram mais de 3% e 4%, respectivamente, e a Tesla avançou mais de 4%. JPMorgan e Boeing também apresentaram altas notáveis, acima de 2% e 3%.
Em contrapartida, as petroleiras, que haviam se beneficiado da alta do petróleo durante o conflito, começaram a perder valor. Exxon Mobil recuou mais de 6%, e Chevron caiu mais de 4%. O petróleo acumulou alta superior a 70% no ano devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, elevando o preço médio da gasolina nos EUA acima de US$ 4 o galão pela primeira vez desde 2022.
Panorama das Bolsas Internacionais
Na agenda econômica, o foco permanece na ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, que manteve as taxas de juros inalteradas no encontro do mês passado.
Mercados Europeus e Asiáticos Reagem ao Alívio
As bolsas europeias tiveram um forte desempenho nesta quarta-feira, impulsionadas pelo cessar-fogo. O Stoxx 600 subiu cerca de 4% em Londres, com setores como montadoras, mineradoras e viagens liderando os ganhos. O DAX alemão avançou 4,8%, o CAC 40 francês subiu 4,5%, o FTSE MIB italiano ganhou 3,9% e o FTSE 100 londrino, 2,8%.
A exceção foi o setor de energia. A Shell reportou um resultado misto: lucrou com operações de trading de petróleo, mas viu sua produção de GNL cair. Devido a operações no Oriente Médio afetadas pelos combates, a produção recuou de 948 mil para um intervalo entre 880 mil e 920 mil barris no primeiro trimestre de 2026, fazendo suas ações caírem mais de 5%.
Alta Generalizada na Ásia
O alívio geopolítico também gerou um rali em toda a Ásia. A Coreia do Sul liderou os ganhos, com o Kospi disparando quase 7%, e o Kosdaq avançando 5,12%. No Japão, o Nikkei 225 subiu 5,39%, fechando em um dos maiores saltos recentes.
A China viu o CSI 300 subir 3,49%, e o Hang Seng de Hong Kong subiu cerca de 2,95% após retomar os negócios. A Índia acompanhou o movimento, com o Nifty 50 avançando 3,65%, e a Austrália registrando um ganho de 2,55% no S&P/ASX 200.
Perspectivas de Mercado
O cenário global demonstra uma forte correlação entre a estabilização geopolítica e o otimismo nos mercados financeiros, embora setores específicos, como o de energia, apresentem divergências de desempenho.
