Ibovespa em alta recorde! Veja como o mercado reagiu à cautela global e o que o IPCA e CPI revelarão sobre a economia. Clique e saiba mais!
O Ibovespa iniciou as negociações nesta sexta-feira, dia 10, em tendência de alta. Esse movimento positivo acompanhou a maioria das ações de grandes empresas, mesmo em um cenário global que demonstra cautela devido aos dados de inflação e às incertezas geopolíticas.
Por volta das 10h30, o principal índice da B3 subia 0,60%, atingindo 196.292 pontos. O índice havia oscilado entre 195.129 e 196.618 pontos, marcando um novo recorde intradiário.
Neste mesmo horário, o dólar apresentou queda frente ao real, recuando 0,67% para R$ 5,029. Essa movimentação ocorreu em meio à análise da inflação interna e ao comportamento mais contido da moeda americana no mercado internacional.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, os principais fatores de atenção para o mercado nesta sessão são a divulgação do IPCA no Brasil e o CPI nos Estados Unidos. Tudo isso ocorre em um ambiente global ainda sensível às flutuações do petróleo e às tensões no Oriente Médio.
No Brasil, o índice oficial de inflação registrou um aumento de 0,88% em março, superando as expectativas do mercado, que previam um avanço de 0,77%. Com isso, o índice acumulado em 12 meses voltou a acelerar, passando de 3,81% em fevereiro para 4,14%, sinalizando uma inflação ainda resistente no curto prazo.
André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o resultado foi muito influenciado pelos efeitos globais do conflito entre Irã, EUA e Israel, especialmente pela pressão sobre os preços de energia. Contudo, um cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã diminui o risco de contaminação inflacionária via petróleo no curto prazo.
“O preço do barril tem operado abaixo de US$ 100 desde o anúncio do cessar-fogo, o que ajuda a conter pressões adicionais. Ainda assim, o cenário não é suficiente para trazer total tranquilidade ao Copom [Comitê de Política Monetária]”, comenta o economista.
Ele sugere que o Banco Central mantenha o ritmo de cortes de juros em 25 pontos-base, apoiado pelo câmbio mais estável, abaixo de R$ 5,10.
Internacionalmente, o CPI dos Estados Unidos também está sob observação. O índice subiu 0,9% em março em comparação mensal, conforme esperado, após alta de 0,3% em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a inflação americana avançou 3,3%, dentro das projeções.
O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, mostrou um desempenho mais fraco: alta de 0,2% no mês, abaixo da expectativa de 0,3%, e avanço de 2,6% em 12 meses, também abaixo do consenso. Este dado reforça a ideia de que a inflação subjacente permanece relativamente controlada.
Em paralelo, os futuros de Nova York registraram um leve avanço nesta sexta, refletindo a cautela dos investidores antes da reunião prevista para o fim de semana entre autoridades americanas e iranianas sobre um possível acordo de paz. O encontro ocorre após um cessar-fogo provisório que, embora tenha trazido alívio inicial, é visto com ceticismo devido à fragilidade do acordo e às tensões regionais persistentes.
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