O Ibovespa iniciou a sessão de hoje com uma leve alta, mas rapidamente perdeu força, registrando uma forte queda. Por volta das 11h45, o principal índice da B3 apresentava uma queda de 4,5%, com os 180.797 pontos. A situação era marcada por uma grande quantidade de ações em declínio, com 79 dos 84 papéis que compõem o Ibovespa caindo, enquanto apenas cinco mantinham-se estáveis.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Petroleiras e Impacto Geopolítico
As empresas do setor de petróleo, que haviam apresentado algumas das poucas altas iniciais, acompanhando o aumento das cotações internacionais do petróleo, começaram a ter um desempenho mais misto. A Prio (PRIO3) liderava o pregão com uma alta de 0,30%, enquanto as ações da Brava (BRAV3) e da Petrobras (PETR3 e PETR4) se mantinham próximas à estabilidade.
A situação era influenciada pelo acirramento do conflito no Oriente Médio, que se tornou um fator determinante nas expectativas do mercado.
LEIA TAMBÉM!
Análise de Mercado
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, destacou que o risco de escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã estava pressionando as bolsas globais. Ele mencionou que a possível disparada do petróleo, em reação ao fechamento do Estreito de Ormuz, poderia beneficiar a Petrobras e outras petroleiras, mas também elevava o custo de capital para países emergentes, limitando seus ganhos.
Além disso, a expectativa de um dólar em R$ 5,25 e o aumento das taxas nos DIs também contribuíam para a instabilidade.
Reações Globais
As bolsas asiáticas também registraram fortes quedas, refletindo o impacto da guerra no Oriente Médio. O índice sul-coreano Kospi sofreu uma queda de 7,24% em Seul, o Nikkei caiu 3,06% em Tóquio, e o Hang Seng recuou 1,12% em Hong Kong. Na Europa, os índices pan-europeu e italiano também apresentavam perdas significativas, refletindo a preocupação com o cenário global.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Dados Econômicos Internos
Em um cenário de incertezas externas, os investidores também acompanhavam de perto os dados econômicos internos do Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,3% no ano, totalizando R$ 12,7 trilhões. O crescimento foi superior às expectativas do mercado, que apontava um crescimento anual de apenas 2,02%.
O quarto trimestre apresentou uma estabilidade na comparação com os três meses anteriores, com um crescimento de 0,1%.
Perspectivas para a Selic
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, avaliou que o cenário, apesar da alta do petróleo, ainda permitia a expectativa de cortes na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Copom. Ela mencionou que o ritmo de 50 pontos percentuais poderia ser mantido, considerando a situação econômica interna e as pressões externas.
