Ibovespa Aprofunda Quedas em Dia de Incertezas Geopolíticas
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma nova queda nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, ampliando as perdas observadas ao longo do pregão. O índice fechou em declínio de 2,64%, situando-se aos 180.463 pontos. A performance negativa foi impulsionada principalmente pelo desempenho fraco das grandes empresas, conhecidas como blue chips, que representam quase 12% da composição do índice e sofreram uma queda de 3,33%.
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A pressão sobre o Ibovespa também veio da retração dos bancos, com a maioria das instituições financeiras apresentando resultados negativos. Essa situação intensificou a pressão sobre o índice, que havia demonstrado sinais de recuperação na sessão anterior.
Ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) tiveram um desempenho misto, com a PETR4 apresentando um leve avanço de 0,47% e a PETR3 registrando uma queda de 0,20%. A companhia petrolífera divulgará, após o fechamento do mercado, informações relevantes sobre suas operações.
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Análise do Mercado e Fatores de Impacto
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, atribuiu a queda do Ibovespa ao aumento do temor em relação ao conflito geopolítico em curso, que se prolonga e afeta a confiança dos investidores. “O temor de que a guerra continue faz com que o Ibovespa caia”, afirmou Mollo.
Além disso, o analista destacou que o aumento do preço do petróleo, um fator que também influencia o mercado, contribui para a pressão sobre as ações. A Petrobras, por sua vez, apresenta um cenário particular, com a alta do petróleo favorecendo a companhia devido à sua forte exposição ao mercado de petróleo.
Outros Cenários e Perspectivas
Investidores expressam receios de que o governo não repasse integralmente a alta dos combustíveis, o que poderia impactar negativamente a Petrobras. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) declarou que o Estreito de Ormuz está fechado somente para navios dos Estados Unidos, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais.
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O petróleo tipo Brent, referência mundial, encerrou o dia em alta, cotado a US$ 85,41 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, mais usado nos EUA, subiu 8,51%, cotado a US$ 81,01 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Além das incertezas geopolíticas, a taxa de desemprego no Brasil também foi um fator de atenção para os investidores, com o IBGE divulgando um aumento na taxa de desocupação. André Valério, economista sênior do Inter, observou que a alta era esperada, considerando a sazonalidade de demissões em dezembro.
Apesar de esperadas novas altas na taxa de desocupação, o cenário do mercado de trabalho não deve piorar significativamente.
Desempenho Global e Cenário Econômico
As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quinta-feira, com a de Seul garantindo o melhor pregão em quase duas décadas após um tombo recorde na sessão anterior. O índice sul-coreano Kospi saltou 9,63% em Seul, a 5.583,90 pontos, no maior ganho em um único dia desde outubro de 2008.
Já as bolsas europeias apresentaram um desempenho misto, com o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 caindo 1,4%, aos 604,31 pontos.
