Um paciente com paralisia severa em quatro membros demonstrou uma notável capacidade de se locomover em uma cadeira de rodas elétrica e controlar um cão-robô para realizar entregas de comida, utilizando apenas sinais cerebrais. Essa conquista é resultado de testes clínicos conduzidos na China, com a participação de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e do Hospital Huashan, da Universidade Fudan.
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Os resultados foram divulgados em dezembro de 2025.
Ensaio Clínico Prospectivo
O experimento integra o segundo ensaio clínico prospectivo, realizado pelo Centro de Excelência em Ciência do Cérebro e Tecnologia Inteligente. Segundo o pesquisador Zhao Zhengtuo, o paciente expandiu suas habilidades, passando a controlar um braço robótico para beber água e se alimentar.
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Essa evolução demonstra o potencial crescente das interfaces cérebro-máquina.
Inicialmente, em junho de 2025, a equipe havia apresentado o primeiro ensaio clínico, no qual um paciente que sofreu a perda de quatro membros após um acidente conseguia mover o cursor de um computador através da interface cérebro-máquina.
Tecnologia e Aplicações
As interfaces cérebro-máquina permitem a comunicação direta entre o cérebro humano e dispositivos eletrônicos. Na China, essa tecnologia é considerada parte das seis indústrias do futuro, conforme definido no 15º Plano Quinquenal, com foco inicial em aplicações médicas, especialmente para pacientes com paralisia e lesões neurológicas.
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Os sistemas implantáveis são classificados em invasivos e semi-invasivos. Os invasivos, que entram em contato direto com o córtex cerebral, possibilitam funções mais complexas, como a substituição de movimentos e a modulação neural precisa. Já os semi-invasivos, posicionados fora da dura-máter, avançam mais rapidamente em testes clínicos.
Resultados de Ensaio Multicêntrico
Em dezembro de 2025, durante a Conferência de Interfaces Cérebro-Máquina, em Xangai, uma equipe apresentou os resultados de um ensaio multicêntrico com sistemas semi-invasivos. O estudo envolveu 32 pacientes com lesões na medula cervical, submetidos a cirurgias em mais de dez hospitais.
Os participantes conseguiram controlar luvas pneumáticas e realizar movimentos de preensão fina utilizando sinais cerebrais.
Desafios e Perspectivas
Na China, as interfaces cérebro-máquina invasivas são classificadas como dispositivos médicos de classe III, exigindo ensaios clínicos rigorosos antes da aprovação comercial. Atualmente, a tecnologia está avançando da pesquisa experimental para a aplicação clínica, mas ainda não há produtos autorizados para o mercado.
Pesquisadores apontam dois desafios centrais para a maturidade da tecnologia: segurança e eficácia. O foco está na redução dos danos cirúrgicos, na miniaturização dos implantes e no aprimoramento da coleta, da transmissão sem fio e da decodificação dos sinais neurais.
O processamento dos sinais e a geração de comandos ocorrem em pouco mais de dez milissegundos.
