Crise no Irã: Protestos violentos e repressão chocam o mundo! A instabilidade aumenta com a morte de Erfan Soltani, executado sem julgamento. Trump ameaça intervenção militar se a repressão persistir
O Irã vive um momento de grave crise, marcado por protestos generalizados, uma repressão violenta por parte das autoridades e umas raízes históricas complexas que explicam a instabilidade atual. Liderado pela organização clerical dos aiatolás, o país, de religião muçulmana, não é estranho a revoltas intensas e repressões igualmente violentas.
Iranianos, ao longo da história, tomaram as ruas para protestar contra o intenso autoritarismo, mas os protestos de 2026 atingiram níveis potencialmente capazes de superar a Revolução Iraniana de 1979, que derrubou o governo monárquico do Xá Mohammad Reza Pahlavi – um período sangrento com mais de 2.700 mortes.
A crise atual tem suas origens em diversos fatores. Em 2026, a moeda local, o rial, despencou para 1,48 milhão por dólar, desencadeando uma crise econômica que afetou a população. Em menos de uma semana, os vastos protestos contra a situação econômica se alastraram por todas as 31 províncias do país, impulsionados pela insatisfação com o regime teocrático e autoritário do Irã, no poder desde a revolução de 1979.
A figura central da ira dos manifestantes é o Aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo da Revolução, que exerce controle total sobre as forças armadas e poder de veto contra qualquer política.
Para entender a crise, é fundamental voltar à história do Irã. Antes da Revolução Iraniana, o país era uma monarquia autocrática, sob o controle do Xá, uma figura equivalente a um rei. Mesmo assim, era um país drasticamente diferente. Nos anos 70, o Xá Mohammad Reza Pahlavi, herdeiro da dinastia com o mesmo nome, era mais próximo dos EUA, o que gerava incertezas na população, como o medo de influência estrangeira excessiva.
Grandes reformas, parte de um projeto agressivo de modernização conhecido como a Revolução Branca, também levantaram suspeitas de secularismo – distanciamento da religião – no povo, profundamente religioso. Insatisfeito com o progresso da Revolução Branca, o Aiatolá Ruhollah Khomeini capitalizou no forte sentimento religioso um movimento popular que culminaria na Revolução Iraniana, no ano de 1979.
Conseguindo atrair o exército, leal ao Xá, para a sua causa, Khomeini adquiriu substancial poder. Após a violenta revolução, o país foi de uma monarquia autocrática (e de certa forma, mais progressista) a uma fechada teocracia com o poder nas mãos do clero – e, mais importante, totalmente oposto aos EUA e ao Ocidente em geral.
Nesse ponto, a nação foi renomeada como República Islâmica do Irã. Pertencendo à escola muçulmana xiita (oposta à escola sunita), o novo regime teocrático espalhou sua influência através do mundo islâmico, se aliando com grupos como o Hezbollah, os Houthis e o Hamas, formando o chamado “Eixo da Resistência”, que conta entre seus adversários o EUA, a União Europeia, e até mesmo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, que são sunitas.
Por mais que a religião continue sendo o Islã, a etnia iraniana, ao contrário da dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, não é árabe, mas persa: o que adiciona uma esfera étnica aos conflitos.
Desde a morte de Khomeini em 1989, o atual líder dos aiatolás, Khamenei, assumiu, e vem liderando o país com punho de ferro desde então. A crise atual é marcada pela repressão violenta das autoridades, com mais de 730 manifestantes mortos e dezenas de milhares presos, segundo organizações de direitos humanos.
O regime chegou ao ponto de anunciar uma execução formal, por enforcamento, do manifestante Erfan Soltani, preso durante os protestos, que foi condenado à morte sem julgamento. Sua execução está planejada para essa quarta-feira, dia 14. Além da repressão, o regime cortou a internet no país, efetivamente isolando-se.
Observadores acreditam que o número verdadeiro de mortos é bem maior.
A crise no Irã reverbera pelo mundo, e atrai a atenção de diversos blocos e atores. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se “horrorizado” com a repressão, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que sanções serão propostas “rapidamente” em resposta ao número “aterrorizante” de mortos.
Espanha, França, Reino Unido, Finlândia, Dinamarca e Alemanha convocaram nesta terça-feira diplomatas iranianos para expressar sua “condenação” à repressão aos protestos. No Ocidente, de longe a resposta mais drástica à crise foi a do presidente americano Donald Trump.
O republicano alertou que os EUA estariam “armados e preparados” para contra o regime se a repressão contra os manifestantes continuasse – uma espécie de “mea culpa” com o qual a população iraniana parece contar. “Patriotas iranianos, MANTENHAM AS MANIFESTAÇÕES”, escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social, nessa terça-feira 13. “Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que CESSEM este massacre sem sentido de manifestantes.
A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, afirmou. O presidente não especificou exatamente que tipo de ajuda os iranianos receberiam, mas os instou a lembrar os nomes dos “assassinos e abusadores”. “Eles pagarão um preço alto”, prometeu. Além disso, o presidente também – não ao Irã em si, que já sofre com fortes sanções, mas a qualquer país que conduza comércio com o Irã.
Isso afeta diretamente muitos países do mundo.
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