Itaú BBA alerta para risco “Super” El Niño nos investimentos

Itaú BBA sinaliza risco elevado com “Super” El Niño nos investimentos devido a impactos macroeconômicos globais e regionais.

29/06/2026 11:29

4 min

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Investidores acompanham de perto a possibilidade do que pode ser um “Super”El Niño no segundo semestre deste ano e início de 2027, conforme apontou relatório divulgado neste domingo, dia 28.

De acordo com análise feita pelo banco Itaú BBA, há uma probabilidade de 63% para que esse fenômeno atinja intensidade classificada como “muito forte”, baseando – se em projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA.

O aquecimento dessas águas superficiais altera os padrões globais climáticos, gerando riscos macroeconômicos significativos na América Latina.

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O evento ocorre quando as temperaturas das águas superaquecem o Pacífico Equatorial por um período prolongado; ele é considerado “muito forte” se ultrapassar a marca de 2°C acima da média histórica.

Para Itaú BBA, esse cenário representa uma preocupação para toda região devido ao peso crescente que vem ganhando a América Latina nos complexos mundiais de grãos e à sensibilidade local às flutuações climáticas em alimentos e energia.

“A relevância deste tema aumentou entre os investidores porque há grande dependência do mercado global de grãos na área latino – americana. Isso afeta diretamente as oscilações nas inflações alimentares ou energéticas por causa das mudanças no clima”, explica o relatório.”

Cenário brasileiro: soja sob pressão

O banco aponta um cenário misto com efeitos econômicos significativamente assimétricos para cada país da região, mas destaca que a safra brasileira é monitorada pelos investidores.

Atualmente, o Itaú BBA mantém como base uma projeção positiva e espera ainda colher em 182,4 milhões toneladas de soja brasileiras na safrinha de 2026/27. Contudo, qualquer desvio climático adverso pode reduzir essa produção esperada,

Segundo análise feita pelo próprio bando, se houver apenas queda de seis por cento no volume total do plantio nacional, isso retiraria cerca de onze milhões de toneladas da oferta mundial globalmente disponível.

Vulnerabilidades regionais: Chile, Peru e Colômbia

Além dos riscos internos brasileiros, o relatório traça um panorama detalhado para os principais mercados latino – americanos que podem ser afetados pelas mudanças climáticas.

No caso chileno, aumento das chuvas traz potencial benefício na geração hidrelétrica. No entanto, atividades como mineração ou agricultura poderiam sofrer interrupções temporárias devido ao excesso hídrico; a inflação alimentar pode subir mesmo com essa melhora energética no setor elétrico do país.

O peru costuma enfrentar enchentes severas acompanhadas de deslizamentos e esse padrão afeta diretamente setores vitais: pesca, varejo (especialmente bens discricionários) e agropecuária.

Colômbia sob risco climático

A Colúmbia é apontada pelo Itaú BBA não apenas por ser o mais vulnerável da América Latina em relação aos efeitos climáticos. Diferente dos vizinhos que podem receber chuvas extras ou ter impactos mistos na energia elétrica,

Neste caso específico do El Niño ele tende a diminuir drasticamente os volumes pluviométricos no país; essa redução diminui também os níveis de reservatórios hídricos, elevando custos para gerar eletricidade.

“Um evento moderado poderia elevar 0,4 ponto percentual à inflação e reduzir -0,1 ponto percentual o crescimento esperado do PIB colombiano somente neste ano”, alertou ainda o banco sobre as projeções macroeconômicas.”

Argentina: O destaque positivo

Em contraste com outros países que enfrentam riscos climáticos complexos ou vulnerabilidades específicas em setores chave (como a Colômbia), é na Argentina que Itaú BBA identifica um potencial beneficiário estrutural no ciclo de El Niño previsto.

O fenômeno costuma trazer chuvas acima da média para todo seu principal cinturão agrícola; isso favorece diretamente uma recuperação das lavouras plantadas, como soja e milho — culturas frequentemente afetadas por períodos secos associados à La Niña.

“A região surge beneficente porque as condições hídricas melhoraram bastante o desempenho do setor produtivo”, afirma ainda o relatório sobre os ganhos esperados em exportações agrícolas mais robustas.

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