Resultados do Itaú Unibanco e Impacto da Liquidação Bancária
A recente liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e a subsequente liquidação de sua subsidiária, Will Bank, em janeiro, representou um “evento de magnitude relevante”, conforme avalia Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco.
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A situação gerou um rombo de R$ 55 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que, segundo Maluhy, corresponde a quase metade do patrimônio total do fundo, atualmente estabelecido em R$ 120 bilhões. Ele enfatizou que a necessidade de recapitalização do FGC terá implicações de custo para toda a sociedade.
Maluhy ressaltou que o sistema financeiro precisará discutir, em conjunto com o Banco Central (BC), os mecanismos para mitigar o impacto da liquidação sobre os bancos e a sociedade. Ele expressou a preocupação de que um evento dessa magnitude não deva se repetir, reforçando a importância de medidas preventivas.
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O executivo mencionou a criação do FGC, em meados da década de 1990, com o objetivo de proteger os investidores em casos de liquidação bancária. No entanto, ele criticou a desvirtuação da garantia, destacando que algumas plataformas utilizaram a proteção do FGC como ferramenta de alavancagem, viabilizando modelos de negócio insustentáveis.
“O incentivo foi colocado de forma equivocada, colocando os interesses de algumas plataformas à frente dos interesses dos investidores”, afirmou Maluhy, ressaltando que essa situação gerou uma “conta” para o sistema financeiro. Ele atribuiu a liquidação bancária a um modelo de negócio inadequado.
Em relação aos resultados do banco no quarto trimestre, Maluhy anunciou um crescimento de 13,2% no lucro recorrente gerencial, atingindo R$ 12,33 bilhões, em comparação com R$ 10,884 bilhões no final de 2024. O resultado está alinhado com as expectativas do mercado, que projetava um lucro de R$ 12,3 bilhões.
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No acumulado do ano, o banco obteve um lucro de R$ 46,8 bilhões, um aumento de 13,1% em relação aos R$ 41,4 bilhões acumulados em 2024.
Um ponto positivo destacado foi a melhora no índice de eficiência, que recuou para 38,9% em comparação com 40,7% no trimestre anterior. Esse índice, que mede a relação entre a receita e as despesas, indica maior eficiência operacional do banco.
Maluhy considerou o resultado como o melhor da história da instituição financeira, atribuindo-o a investimentos em tecnologia que otimizaram e aceleraram os processos.
A estabilidade da inadimplência também foi um destaque, com a taxa permanecendo em níveis controlados apesar do cenário desafiador imposto pelos juros elevados. A inadimplência total, abrangendo Brasil e América Latina, ficou em 1,9% ao longo dos quatro trimestres de 2025, com estabilidade tanto nas linhas de crédito para pessoas físicas quanto para empresas, incluindo pequenas e médias corporações.
