Jamieson Greer critica Brasil após tarifa comercial anunciada

O representante de Comércio dos Estados Unidos em Brasília, Jamieson Greer, fez um recado claro e direto sobre o Brasil durante uma chamada com jornalistas na semana passada. Em meio ao anúncio da tarifa que atingirá produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho,Greer tratou qualquer tentativa narrativa de associar essa medida comercial à política interna brasileira ou aos setores bolsonarista.
Ao ser questionado especificamente sobre Flávio Bolsonaro — nome tratado por ele apenas como participante legítimo —, Greere afirmou: “Ele participou de uma audiência pública, em conformidade com as leis e regulamentos… No entanto, não houve nenhuma reunião entre mim ou membros da equipe do USTR e o senhor Bolsonaro”.
A separação cirúrgica dos interesses comerciais
O contraste na abordagem foi notável. Enquanto Greer manteve um tom estritamente institucional ao mencionar a participação anterior de Bolsonarista no processo investigativo sob Seção 301, sua crítica à gestão atual brasileira se mostrou muito mais incisiva.
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Longe de poupar críticas às políticas públicas locais, ele acusou tribunais brasileiros por obrigarem empresas americanas de tecnologia a remover conteúdos políticos — inclusive contas presidenciais —, alegando que isso seria feito mediante ordens sigilosas do governo local.
Além disso, o representante americano apontou problemas como multas diárias consideradas abusivas e ameaças constantes de fechamento das operações. Ele também criticou explicitamente um favorecimento ao Pix, operado pelo Banco Central, descrevendo – o em termos comerciais desfavoráveis para companhias dos EUA.
Pontos críticos nas negociações com Brasília
As falhas na aplicação da lei anticorrupção foram outro ponto levantado por Greer durante as conversações sobre tarifas preferenciais concedidas a países vizinhos, citando Índia e México no mesmo contexto comparativo. O índice brasileiro foi destacado: o país marcou apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção referente aos dados de 2025. Além disso, ele não deixou passar os efeitos do desmatamento ilegal em regiões que afetam diretamente produtores agrícolas americanos.
Sobre o andamento das negociações comerciais após mais de um ano de diálogos intensos, Greere se mostrou frustrado com falta concreta de resultados para Washington. “Fizemos diversas ofertas e apresentamos várias propostas, mas não obtivemos uma resposta satisfatória”, declarou.
Ele reconheceu algum avanço nas últimas seis semanas; contudo, criticou duramente a postura brasileira por apresentar apenas “declarações” genéricas como: ‘nada está fora da mesa’ ou ‘estamos dispostos a discutir todos os temas’.
A mensagem implícita sobre prazos
Em outras palavras, o recado foi claro: discussões verbais no Planalto brasileiro são consideradas insuficientes pela equipe americana. Greer enfatizou que debater um tema é diferente de conceder alguma forma de concessão comercial.
O governo americano sinaliza para Brasília uma distinção política importante ao desvincular tarifas comerciais dos interesses ideológicos e vinculá – las unicamente aos resultados práticos das políticas públicas brasileiras atuais. Greere reiterou em suas falas que embora “a porta da negociação continua aberta”, a paciência do lado estadunidense tem limites definidos pelo calendário econômico; afinal, o prazo estabelecido já aponta os 25% sobre produtos brasileiros desde 22 de julho.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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