Janeiro Branco: Alerta Urgente! Saúde Mental nas Empresas Dispara.
A campanha “Janeiro Branco” expõe o aumento alarmante de transtornos mentais no ambiente corporativo. Estudo da VR aponta para 6% a 8% de afastamentos por ansiedade e depressão em 2025. NR-1 exige gestão de riscos psicossociais
O mês de janeiro, tradicionalmente associado a recomeços, tem ganhado destaque no Brasil como um período de alerta sobre a saúde mental. A iniciativa, conhecida como “Janeiro Branco“, surgiu em 2014, com o objetivo de promover a reflexão sobre hábitos e ampliar o diálogo sobre o bem-estar emocional.
A campanha, idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, busca transformar o início do ano em uma “folha em branco” para repensar a forma como lidamos com as emoções e desafios do dia a dia. Com mais de uma década de existência, a iniciativa tem ganhado relevância, especialmente no ambiente corporativo.
Um estudo da VR, empresa especializada em soluções para trabalhadores e empregadores, aponta para um aumento consistente nos transtornos mentais nas empresas brasileiras nos últimos dois anos, justamente em um momento de novas exigências legais. A análise considera dados de mais de 30 mil empresas e cerca de 1,3 milhão de trabalhadores que utilizam as soluções de RH Digital da companhia entre 2023 e 2025.
A pesquisa revela que afastamentos relacionados a fadiga, estresse e esgotamento emocional mais que dobraram no período. Em 2023, esses diagnósticos representavam entre 1,5% e 2,5% dos afastamentos. Em 2024, a faixa de incidência passou para 3% a 4%, e em 2025 atingiu entre 6% e 8% dos registros.
Segundo a VR, o crescimento nos diagnósticos pode estar relacionado à utilização de CIDs (Classificação Internacional de Doenças) mais específicas para esses quadros. No entanto, os dados indicam que não houve substituição de diagnósticos.
Ansiedade e depressão permanecem em níveis elevados ao longo do período, sugerindo um processo cumulativo de adoecimento mental no ambiente de trabalho.
A ansiedade, em suas diversas manifestações, continua sendo a principal causa de afastamento. Em 2023, respondeu por 54% dos diagnósticos. Em 2024, oscilou entre 51% e 52%, e em 2025 manteve-se entre 48% e 50% dos casos. Os transtornos depressivos aparecem em seguida, motivando cerca de 30% dos atestados ao longo dos três anos analisados.
Já os quadros mistos, que combinam ansiedade e depressão, apresentaram crescimento expressivo, saltando de 14% em 2023 para 20% em 2024, com leve recuo em 2025, quando ficaram entre 17% e 18%.
Diante desse cenário, a campanha “Janeiro Branco” passa a dialogar diretamente com a legislação trabalhista. A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) amplia o escopo de responsabilidade das empresas, exigindo a identificação, avaliação e gestão dos riscos psicossociais no trabalho.
A norma determina que fatores como estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, pressão por metas e impactos emocionais decorrentes da organização do trabalho passem a integrar os programas de prevenção de riscos. “Cuidar exige ações estruturadas, monitoramento e políticas de cuidado, incluindo atenção a indicadores previstos na NR-1, como o controle de jornada e a marcação de ponto, fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais no ambiente de trabalho”, afirma Cássio Carvalho, diretor-executivo de Negócios da VR.
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