A velocidade com que falamos varia significativamente entre os idiomas, mas isso não implica que algumas línguas sejam mais informativas que outras. Pesquisas em linguística revelam que idiomas considerados “rápidos”, como o japonês, podem apresentar um número maior de sílabas pronunciadas por segundo, enquanto o inglês se destaca por um ritmo mais lento.
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Apesar dessas diferenças, o tempo necessário para comunicar uma ideia permanece essencialmente o mesmo.
Diferenças na Estrutura Sonora dos Idiomas
Segundo uma reportagem da Popular Science, as variações na velocidade da fala estão ligadas principalmente à estrutura sonora de cada idioma e à quantidade de informação contida em cada sílaba. Estudos científicos apontam que idiomas como o japonês e o inglês apresentam características distintas nesse aspecto.
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O japonês, por exemplo, utiliza sílabas com poucos sons, permitindo uma pronúncia mais rápida, enquanto o inglês, com sílabas que incluem múltiplos fonemas, exige uma articulação mais demorada.
O Japonês como o Idioma Mais Rápido
Uma pesquisa publicada em 2011 comparou a velocidade da fala em diversas línguas, identificando o japonês como uma das mais rápidas, com uma média de 7,84 sílabas por segundo. Em contrapartida, o inglês se classificou entre os mais lentos, com cerca de 6,19 sílabas por segundo.
Essa diferença se deve à forma como cada idioma estrutura suas sílabas, com o japonês utilizando sílabas mais simples e o inglês, sílabas mais complexas.
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A Relação Entre Velocidade e Informação
Apesar das diferenças na velocidade da fala, pesquisas indicam que os idiomas tendem a transmitir quantidades semelhantes de informação por segundo. Um estudo de 2019, conduzido por pesquisadores da Universidade de Lyon, na França, analisou a fala de 17 idiomas, medindo o ritmo de leitura de textos padronizados.
Os resultados revelaram uma variação na velocidade da fala, entre 4,3 e 9,1 sílabas por segundo, mas ao combinar essa velocidade com a quantidade de informação transmitida por cada sílaba, as diferenças entre os idiomas se tornaram menos evidentes.
Limites Cognitivos na Processamento da Linguagem
Para entender melhor essa relação, os cientistas utilizaram conceitos da teoria da informação, desenvolvida por Claude Shannon, que mede a quantidade de informação em uma mensagem. Com base nesses cálculos, estimaram uma taxa média de cerca de 39 bits de informação por segundo entre os idiomas analisados.
Esse valor pode representar um limite aproximado da quantidade de informação que o cérebro consegue processar durante a comunicação, indicando que, apesar das diferenças na velocidade e na densidade de informação das sílabas, todos os idiomas acabam transmitindo mensagens em um ritmo relativamente semelhante.
Especialistas ressaltam que a pesquisa sobre a fala em contextos reais ainda está em andamento, pois experimentos baseados em leitura de textos podem não refletir totalmente a velocidade da comunicação no dia a dia.
