Jornalista americano solicita ao STF entrevista com Filipe Martins

Shellenberger busca ouvir ex-assessor de Bolsonaro, réu por tentativa de golpe; Moraes já vetou entrevistas anteriores.

31/07/2025 16h56

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(Imagem de reprodução da internet).

O jornalista americano Michael Shellenberger, autor das reportagens dos Twitter Files Brasil, solicitou à Suprema Corte, nesta quinta-feira (31.jul.2025), autorização para entrevistar Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi direcionado ao ministro Alexandre de Moraes.

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Shellenberger, conforme Martins, manifestou interesse em realizar uma entrevista, conduzida remotamente, com registro em áudio e vídeo. O advogado do jornalista e articulista do Poder360, André Marsiglia, sustenta que a recusa impediria a entrevista, representando censura e infringindo o direito à liberdade de imprensa.

A questão envolve temas de relevância nacional, com grande interesse público na realização e divulgação da entrevista com Filipe Martins. Além disso, negar qualquer manifestação constitui censura prévia, prática que este Supremo Tribunal Federal historicamente repudia.

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Filipe Martins é réu por tentativa de golpe de Estado. A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou por unanimidade a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) contra o ex-assessor de Bolsonaro e mais 5 pessoas em 22 de abril de 2025.

Martins e outros cinco acusados compõem o núcleo 2 do inquérito, que, conforme a PGR, fornecia suporte operacional às ações destinadas a “sustentar a permanência ilegítima” de Bolsonaro no cargo, em 2022.

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Marsiglia argumenta que a maior parte das investigações e procedimentos já foi finalizada e que a realização da entrevista não geraria prejuízo ao andamento do processo.

O Poder360 e a Folha anunciaram uma parceria estratégica para oferecer conteúdo jornalístico e soluções de mídia para clientes.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que Martins não conceda entrevista a este jornal digital em 3 de julho “a fim de evitar o risco de tumulto neste momento processual”. O magistrado não considera existir um “risco de tumulto”.

O pedido do Poder360 fora submetido ao STF em 12 de março de 2025. No requerimento, esta publicação digital sustentou que a realização da entrevista não é incompatível com as medidas cautelares impostas e declarou existir interesse público.

O Poder360 afirmou que a autorização para a realização da entrevista é uma medida essencial para atender ao inegável interesse público envolvido e baseada na liberdade de imprensa e de informação, resguardando ainda a igualdade de tratamento entre os réus. Moraes não respondeu a esse argumento apresentado sobre a necessidade de “igualdade de tratamento entre os réus”.

Anteriormente, o ministro já havia proibido o ex-assessor de Bolsonaro de se comunicar com o jornal Folha de S.Paulo, em agosto de 2024. Na ocasião, o ministro alegou que a entrevista não era “conveniente para a investigação criminal” por estar em curso. Contudo, ele agora é réu.

Lembre-se do ocorrido.

Filipe Martins foi detido em 8 de fevereiro de 2024, durante a operação Tempus Veritatis. Sua libertação ocorreu em agosto do ano anterior, por decisão de Alexandre de Moraes. A defesa do ex-auxiliar presidencial sempre negou que ele tenha viajado com o ex-presidente.

A Polícia Federal não apresentou provas definitivas do deslocamento de Martins aos Estados Unidos. A defesa do acusado apresentou evidências acerca da ocorrência de uma fraude em registros referentes ao que a PF alegava ser a entrada dele nos EUA.

A companhia aérea Latam divulgou uma nota (integral – PDF – 88 kB) confirmando que Martins viajou de Brasília para Curitiba em 31 de dezembro de 2022, o que desmentia a alegação de que ele havia deixado o país no dia anterior.

A Polícia Federal também alegava, ao solicitar a prisão de Martins, que ele estava foragido. Contudo, o ex-assessor estava no Paraná, em local conhecido e até publicava imagens em redes sociais. Apesar disso, a prisão foi decretada e o ex-assessor ficou detido por quase sete meses.

O ministro Alexandre de Moraes, ao autorizar a saída de Martins da prisão, mesmo ciente de todas as provas apresentadas pela defesa sobre o réu não ter fugido do país, determinou as seguintes medidas cautelares:

Fonte por: Poder 360

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