Kospi Alcança Novo Recorde Histórico e Consolida a Coreia do Sul como Maior Mercado em Ascensão
A segunda-feira, 23, foi marcada por um feito notável no Kospi, principal índice da bolsa sul-coreana. O índice registrou um aumento de 0,65%, fechando em 5.846,09 pontos, impulsionando a Coreia do Sul ao topo como o mercado acionário que mais sobe no mundo em 2026.
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O pregão atingiu um intraday máximo de 5.900 pontos, a primeira vez que o índice se aproximava tão perto da marca simbólica dos 6.000 pontos.
Fatores que Impulsionaram o Rali
Apesar das incertezas globais relacionadas à política comercial dos Estados Unidos, com a Suprema Corte americana impondo novas tarifas, o mercado sul-coreano ignorou esses desafios e manteve um forte crescimento, conhecido como rali. O desempenho do dia refletiu uma tendência que se consolidou desde 2024, com tecnologia e automóveis liderando os ganhos.
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A Samsung Electronics subiu 1,53%, enquanto a SK Hynix avançou 0,21%. No setor automotivo, Hyundai Motor saltou 2,75% e a Kia teve um aumento de 0,52%, com Korean Air e Jeju Air também se destacando com altas expressivas.
Marco Histórico e Perspectivas
Desde janeiro, o Kospi já rompeu três marcos psicológicos: 5.000, 5.500 e agora se aproxima de 6.000 pontos. A maioria dos analistas acredita que o rali é resultado de uma base dupla, impulsionada por lucros recordes no setor de semicondutores, ligados à crescente demanda por inteligência artificial, e por reformas institucionais que buscam reduzir o “Korea discount”, um desconto nas ações coreanas em relação aos seus pares globais, devido a questões de governança corporativa.
Desafios e Oportunidades
A economia da Coreia do Sul é fortemente influenciada pelos grandes conglomerados familiares, conhecidos como chaebols, que exercem um papel central no mercado de capitais. Esses grupos controlam centenas de empresas listadas, utilizando estruturas complexas de participações cruzadas para manter o controle dos conselhos de administração e da gestão executiva.
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No entanto, essa concentração de poder também é alvo de críticas, com investidores apontando para decisões que favorecem os controladores em detrimento dos acionistas minoritários e operações societárias que diluem o valor das ações. Uma medida em discussão no parlamento coreano visa revisar a Lei Comercial, obrigando empresas a cancelar ações em tesouraria, o que poderia beneficiar os acionistas minoritários.
Política Econômica e Expectativas para o Futuro
O cenário político também contribui para a euforia do mercado. Desde que assumiu a presidência, Lee Jae Myung, transformou o mercado de capitais em um pilar de sua estratégia econômica, com a meta de levar o Kospi a 5.000 pontos, que já foi superada.
O índice acumula um aumento de 36% este ano e mais que dobrou de pontuação desde o início de seu mandato, em junho de 2025, um desempenho sem precedentes entre grandes bolsas globais. Para aliados do governo, essa valorização reflete um realinhamento estrutural, com o fortalecimento de deveres fiduciários das empresas, estímulo a dividendos e combate à manipulação, além de um roteiro para elevar o status da Coreia do Sul nos índices globais, como os da MSCI.
Apesar do otimismo, analistas internacionais relativizam, citando o impacto da inteligência artificial no ganho e a necessidade de monitorar de perto o mercado. Investidores locais estão retornando ao mercado, comprando líquido cerca de 1,08 trilhões de won (R$ 3,87 bilhões) no pregão, enquanto estrangeiros e institucionais realizaram lucros.
Essa retomada do investidor pessoa física sinaliza uma mudança importante, considerando a dependência histórica do país no mercado imobiliário como reserva de valor.
O won se fortaleceu frente ao dólar, e os juros dos títulos soberanos subiram levemente, indicando uma reprecificação de risco em um ambiente de crescimento de lucros. No entanto, economistas alertam que o teste decisivo será a transmissão desse rali para a economia real, um desafio considerando a dívida elevada das famílias e a sensibilidade do país a choques externos.
Por ora, o mercado aposta na continuidade, com corretoras locais já trabalhando com alvos acima de 7.000 pontos para o fim do ano.
