A logística brasileira está em um momento crucial. Por um lado, empresas vislumbram ganhos significativos de produtividade, impulsionados por avanços tecnológicos. Por outro, a indústria ainda enfrenta obstáculos antigos, como infraestrutura precária, custos elevados e uma cadeia de distribuição fragmentada.
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Essa dualidade é claramente ilustrada no Infor Reports 2025 – Inovação na Logística, um estudo anual que mapeia as tendências do setor no Brasil e no mundo, abrangendo 15 países.
Expectativas de Produtividade e a Busca por Tecnologia
O levantamento revela que 81% das empresas brasileiras de distribuição esperam aumentar sua produtividade em mais de 20% nos próximos três a cinco anos. Para a maioria, esse aumento só será possível com a adoção de tecnologias avançadas. No entanto, essa ambição coexiste com a realidade de um setor ainda marcado por desafios operacionais significativos.
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Custos de Transporte e Problemas de Infraestrutura
Em 2024, os gastos com transporte no Brasil ultrapassaram R$ 940 bilhões, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior, conforme dados do ILOS. Essa alta reflete a dependência histórica do modal rodoviário e as disparidades na qualidade das estradas entre as regiões, fatores que continuam a pressionar os custos e os prazos de entrega.
Desafios nos Armazéns e Mercado Imobiliário
Dentro dos armazéns, a situação também é complexa. Entre 2022 e 2023, o custo de estocagem subiu de 18% para 23%, impulsionado pela incerteza na demanda e pela falta de integração entre os sistemas de gestão. Paralelamente, o mercado imobiliário logístico está mais competitivo do que nunca.
A taxa de vacância dos condomínios logísticos caiu para 7,2% no segundo trimestre de 2025, segundo a Colliers, o menor nível desde 2016.
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A Digitalização como Prioridade
Rafael Pinto, vice-presidente de Fulfillment da Daki, ressalta o dilema: “Temos uma infraestrutura defasada, custos elevados e uma cadeia bastante fragmentada. Em outras palavras, é preciso garantir eficiência e velocidade em um ambiente de gargalos estruturais”.
Nesse contexto, a digitalização surge como uma necessidade urgente, não mais como uma promessa, mas como um imperativo para aumentar a visibilidade das operações e mitigar os problemas estruturais.
Obstáculos à Transformação Digital
Apesar do investimento em tecnologia, a transformação digital enfrenta obstáculos. Dados do Mundo Logística mostram que 71% das empresas brasileiras já investem em tecnologias para modernizar suas operações, mas a transformação digital esbarra em questões como orçamento limitado, integração deficiente entre sistemas e baixa maturidade no uso de dados.
A pesquisa O Armazém do Futuro, conduzida pela Infor com 51 empresas de distribuição, reforça esse diagnóstico. Para 55% dos entrevistados, a baixa maturidade tecnológica é o principal desafio do setor, enquanto 53% citam a escassez de mão de obra qualificada e 47% apontam a dificuldade de formar lideranças com competências digitais.
A Escassez de Talentos e a Necessidade de Liderança
Dados da FGV indicam que 80% das empresas têm dificuldade para contratar profissionais nas áreas de logística, tecnologia e operações. No recorte de transporte e supply chain, a escassez chega a 91%, segundo a Manpower Group. Como resultado, as próprias empresas reconhecem que ainda estão atrás: em uma escala de 1 a 5, avaliam sua maturidade digital em média em 2,71, abaixo dos 3,24 atribuídos aos concorrentes.
Tecnologia e a Busca por Eficiência
Waldir Bertolino, country manager da Infor Brasil, enfatiza que a tecnologia se tornou uma peça-chave para equilibrar a equação. “A digitalização é essencial para compensar a falta de mão de obra e o aumento da complexidade operacional. Ferramentas de inteligência artificial, automação e analytics já ajudam empresas a reduzir custos, antecipar gargalos e otimizar o uso de pessoas”, diz.
Além da Tecnologia: Mudança Cultural e Sustentabilidade
O estudo deixa claro que tecnologia, por si só, não resolve. A transformação exige uma mudança cultural, com líderes orientados por dados, ambientes colaborativos e investimento contínuo em capacitação. No fim das contas, conclui o estudo, a inovação deixou de ser apenas um diferencial competitivo na logística brasileira.
Passou a ser um critério básico de sustentabilidade operacional.
