15ª Conferência da ONU sobre Espécies Migratórias em Campo Grande
A 15ª Conferência da ONU sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, conhecida como COP15, começou nesta segunda-feira, 23 de março, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O evento, que se estenderá até o dia 29 de março, reunirá líderes mundiais para discutir a proteção de animais que atravessam fronteiras, promovendo a conectividade ecológica e a preservação de ecossistemas compartilhados entre países.
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Esta é a primeira vez que a Conferência é realizada no Brasil, e a escolha de Mato Grosso do Sul, que abriga 75% do Pantanal, não é por acaso. A região é considerada estratégica para a migração de espécies nas Américas, desempenhando um papel fundamental na conservação da biodiversidade do continente.
O Pantanal e a Interdependência Ecológica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso no evento, destacou a importância do Pantanal como um símbolo da riqueza natural da América do Sul e da interdependência entre os países. Ele enfatizou que a fauna e a flora da região atravessam fronteiras, tornando a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul um passo crucial para a proteção desses ecossistemas.
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Lula citou a Convenção sobre Espécies Migratórias, ressaltando que “migrar é natural”. As jornadas migratórias das espécies conectam ecossistemas distantes, preservam ciclos naturais e garantem o equilíbrio que torna a vida possível. O presidente também mencionou a onça-pintada, que precisa de territórios preservados para circular pelo continente em busca de alimento e locais seguros para reproduzir.
Novas Unidades de Conservação e Proteção da Biodiversidade
No domingo, 22 de março, véspera da abertura oficial da COP15, autoridades globais já se reuniam em Campo Grande para o Segmento de Alto Nível do evento. O presidente Lula anunciou a ampliação de duas unidades de conservação: a Estação Ecológica de Taiamã, que passa de 11,5 mil para 68,5 mil hectares protegidos, e o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, que amplia sua proteção de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Isso representa um aumento de 104,2 mil hectares protegidos no total.
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Essa expansão da área protegida do Pantanal garante que a área protegida do Pantanal passe de 4,7% para 5,4%. Além disso, a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado, com 69,9 mil hectares, visa conectar a área com os parques estaduais Serra Nova e Grão Mogol, ampliando a proteção de áreas estratégicas no bioma.
Desafios e Perspectivas para a Conservação
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, alertou sobre a gravidade da situação do Pantanal, afirmando que o bioma pode desaparecer até o fim do século se a degradação ambiental persistir. Ela apontou para as mudanças no padrão das chuvas, o aumento da evaporação e a frequência de incêndios como fatores que agravam a crise.
Dados do MapBiomas revelam que o Pantanal já perdeu 15% da sua superfície hídrica nos últimos 30 anos. A ministra enfatizou que a crise climática, a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade e a poluição impactam não só as espécies migratórias, mas também a segurança alimentar, a qualidade da água e o equilíbrio da vida no planeta.
Durante a COP15, a ministra Marina Silva mencionou a possibilidade de lançar uma mensagem ao mundo sobre o desenvolvimento e a conservação, buscando gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural. A conferência busca fortalecer a Convenção sobre Espécies Migratórias como principal instrumento para garantir a conservação das espécies que atravessam continentes e oceanos, como a arara-azul, o morcego-de-cauda-livre-mexicano e o falcão-peregrino.
