O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram por telefone para tratar da complexa relação entre os dois países. A conversa se deu em meio a uma crescente tensão, impulsionada por um sinal de intenção do governo americano de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
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Essa iniciativa reacendeu um debate já existente, com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tendo anteriormente rejeitado essa abordagem, fundamentada em leis nacionais e internacionais.
Foco nas Organizações Criminosas
O foco da preocupação de Washington recai sobre as principais organizações criminosas com atuação no Brasil e na América Latina, que também possuem conexões na Europa. A situação envolve grupos como o PCC e o CV, que operam em diversas regiões e possuem laços com redes internacionais.
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A informação foi inicialmente divulgada pelo portal UOL, que apontou que a burocracia americana já havia iniciado o processo de designação das facções como grupos terroristas, com previsão de conclusão em até duas semanas, através de diferentes departamentos como os de Estado e do Tesouro.
Reunião na Flórida e Preocupações Brasileiras
O telefonema ocorreu após uma reunião do presidente americano, Donald Trump, com líderes latino-americanos na Flórida, denominada “Escudo das Américas”. O encontro, que não contou com a presença do presidente Lula, focou em questões de segurança pública e combate ao crime organizado.
A situação tem gerado preocupação no governo brasileiro, que teme que a possível classificação das facções como terroristas possa dar legitimidade a intervenções militares na América Latina, relembrando a operação de captura do então presidente Nicolás Maduro na Venezuela, que envolveu o uso de forças aéreas e navais americanas.
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Divergências Legais e Lobby Político
O governo brasileiro questiona a classificação, argumentando que o conceito de terrorismo, conforme a legislação vigente no país, está ligado a motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito, e não à atividade criminosa em si. A discussão ganhou força no ano passado, com apoio de parlamentares de direita e da oposição a Lula.
Há também indícios de que o avanço da agenda nos escalões mais baixos da burocracia americana atende a pressões de grupos de interesse, como o lobby bolsonarista nos Estados Unidos, buscando criar divergências entre os dois governos, especialmente em ano eleitoral.
Busca por Canais de Confiança
O Palácio do Planalto tem buscado estabelecer canais de confiança com a Casa Branca, mas enfrenta a objeção política de membros do Departamento de Estado próximos a figuras ligadas ao ex-presidente Bolsonaro, como o novo consultor de Políticas para o Brasil, Darren Beattie.
Diante disso, o governo brasileiro tem adotado uma postura mais discreta nos contatos. A questão da classificação do PCC e do CV como grupos terroristas continua sendo um ponto central nas negociações entre os dois países.
