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Lula viaja ao Nordeste para responder ao crescimento de Bolsonaro e atenuar os efeitos dos cortes no Bolsa Família.


Lula viaja ao Nordeste para responder ao crescimento de Bolsonaro e atenuar os efeitos dos cortes no Bolsa Família.
(Foto Reprodução da Internet)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está planejando uma série de viagens a todos os estados brasileiros ao longo do primeiro semestre, começando por Salvador, Recife e Fortaleza nesta semana. O objetivo é fazer gestos amigáveis ao eleitorado do Nordeste, fortalecer pré-candidatos petistas e aliados, e buscar alianças com outras siglas para apoiar pautas no Congresso Nacional, além de preparar o terreno para as eleições municipais deste ano.

Analistas acreditam que iniciar as viagens no Nordeste é uma estratégia para reforçar a base eleitoral de Lula na região. O PT utilizará os recursos destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no orçamento deste ano, totalizando R$ 54 bilhões, para impulsionar obras e alavancar candidaturas. Essa iniciativa visa também consolidar alianças com partidos do centro e ampliar a representatividade do PT.

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Contrastando com a abordagem do PT, a direita obteve avanços significativos nas eleições municipais de 2020, e o governo cortou 8,4 milhões de beneficiários do Bolsa Família em 2023, com 3,6 milhões desses cortes ocorrendo apenas no Nordeste.

Redução no número de beneficiários do Bolsa Família e ajustes de estratégia em ano eleitoral

Apesar dos cortes no Bolsa Família, o diretor-geral e professor dos cursos de Direito e Ciência Política da Faculdade Republicana, Valdir Pucci, acredita que Lula conseguirá manter sua base eleitoral no Nordeste. Ele argumenta que essa base foi solidificada nos dois primeiros mandatos de Lula como presidente, período em que, na percepção da população local, ele contribuiu significativamente para o desenvolvimento da região. Além disso, a ênfase atual está na agenda nacional devido às eleições municipais em andamento.

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“É claro que o corte ou o cancelamento de inscrições do Bolsa Família, tende, em certa medida, a atingir a imagem do presidente e do seu governo, mas isso não significa que causará uma perda de apoio do Lula no Nordeste. O Lula tem uma base bastante sólida na região, e mesmo com todo o passado que o PT teve de crise econômica, de mensalão, ele conseguiu manter essa base eleitoral e ela não vai se perder tão facilmente assim”, afirma Pucci.

O especialista sugere que a decisão de Lula de não participar da reunião do G20, que reúne as maiores economias do mundo, representa uma mudança estratégica em direção às eleições de outubro. Essa mudança de foco ocorre após o PT ter enfrentado seu pior desempenho histórico nas eleições municipais de 2020, conquistando apenas 183 cidades e não conseguindo eleger prefeitos em nenhuma capital.

Em 2012, durante o auge de sua influência, o partido governava 638 municípios em todo o país. Assim, nas duas eleições municipais subsequentes, em 2016 e 2020, o PT perdeu 71% das prefeituras conquistadas em 2012.

Busca por alianças visando conter o avanço da direita e do bolsonarismo

Por outro lado, partidos de centro-direita e direita experimentaram crescimento ou mantiveram sua representação. O Partido Liberal (PL), liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e o Progressistas (PP) tiveram um aumento significativo, alcançando 349 e 701 prefeituras em 2020, respectivamente. Em comparação com o número de prefeituras que cada partido possuía em 2012, houve um crescimento de 26% para o PL e 47% para o PP. O Republicanos, por sua vez, aumentou de 80 prefeituras em 2012 para 216 em 2020, registrando um aumento de 170%.

O analista político Lucas Pinheiro, especialista em gestão pública, destaca que nas últimas eleições municipais houve um forte sentimento antipetista na população. Ele explica que após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as ações da Operação Lava Jato, o PT adotou discursos mais radicais de esquerda, afastando-se de uma postura de centro-esquerda. “Isso afasta o eleitor municipal, que não se importa com ideologia, mas com a vida prática da cidade. Eleitor municipal não tem ideologia, tem demandas pragmáticas do cotidiano da sociedade. Ganha a eleição quem souber identificar demandas reprimidas e recorrentes e colocá-las na agenda de decisão”, destaca.

Devido ao aumento da rejeição ao partido e ao crescimento da popularidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, o PT optou por não confrontar diretamente para ampliar seu poder regional. Em vez disso, a estratégia é buscar composições de chapas para a prefeitura com partidos influentes em cada localidade.

Pinheiro afirma que essa é uma abordagem pragmática do partido, que, desde a eleição de Lula, compreendeu que a chave para minimizar o antipetismo é formar amplas alianças com diversos partidos e lideranças. “É isso que deve acontecer em 2024, um PT menos ideológico e mais pragmático”.

O analista político e assessor na Malta Advogados, Luiz Filipe Freitas, destaca que essa estratégia está sendo amplamente utilizada pela legenda. “Essas eleições serão muito importantes, talvez sejam as municipais mais relevantes da história recente, dadas as circunstâncias políticas atuais. Então, será comum ver Lula realizando essas agendas e alianças, principalmente para enfraquecer seu adversário e neutralizar possíveis indicações de Bolsonaro”, explicou.


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