Estudo inovador revela como lagos marcianos preservaram água! Pesquisadores da Rice descobrem mecanismo de proteção por gelo sazonal. Evidências geológicas de antigos corpos d’água em Marte são explicadas
Um novo estudo, publicado na revista AGU Advances, apresenta uma explicação inovadora para um dos maiores mistérios da ciência: como antigos lagos em Marte poderiam ter mantido água líquida, apesar de um clima frio e desfavorável. Pesquisadores da Universidade de Rice, no Texas, nos Estados Unidos, utilizaram modelos climáticos adaptados às condições marcianas.
O estudo se concentrou em crateras próximas ao que seria o “equador” de Marte, onde dados de robôs revelam evidências geológicas de antigos corpos d’água. A equipe desenvolveu um modelo chamado LakeM2ARS, baseado em ferramentas de clima terrestre, e simulou dezenas de cenários, variando temperatura, pressão atmosférica e outras condições ambientais de há cerca de 3,6 bilhões de anos.
As simulações mostraram que lagos poderiam manter água líquida sob uma fina camada de gelo sazonal que se formava no inverno e derretia parcialmente no verão. Essa camada de gelo atuaria como um isolamento, reduzindo a perda de calor e limitando a evaporação da água.
Durante as estações mais quentes, a radiação solar ainda poderia aquecer o lago através do gelo, mantendo sua profundidade relativamente estável ao longo de muitos anos marcianos.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que características como leitos de lagos e sedimentos bem preservados são observadas hoje em Marte, apesar de modelos tradicionais sugerirem um planeta frio demais para suportar água líquida estável na superfície.
A ideia de água líquida em Marte não é nova, mas o estudo oferece um mecanismo plausível que não exige um clima globalmente quente ou uma atmosfera espessa como a da Terra.
Estudos anteriores já haviam identificado sinais de antigos lagos e possíveis depósitos de água sob gelo polar, utilizando dados de missões espaciais. Os resultados deste novo estudo ajudam a reconciliar essas evidências geológicas com a teoria climática.
Os pesquisadores acreditam que, se padrões semelhantes de proteção por gelo fino forem encontrados em outros locais marcianos, isso pode ampliar nossa compreensão de onde e por quanto tempo a água líquida existiu no planeta.
Essa informação é crucial não só para reconstruir a história climática de Marte, mas também para avaliar sua “habitabilidade” passada, já que a presença de água líquida é um dos pré-requisitos essenciais para a possível existência de vida como a conhecemos.
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