Operação Compliance Zero: Empresário e Ex-Policial Federal Transferidos para Unidades Prisionais em SP
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira, 4, a transferência do empresário Daniel Vorcaro e de outros três indivíduos envolvidos na terceira fase da operação Compliance Zero para unidades do sistema penitenciário em São Paulo.
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A decisão, solicitada pela Polícia Federal (PF), visa o deslocamento dos presos das superintendências regionais para estabelecimentos prisionais. A PF e a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo definirão o local exato da transferência.
As superintendências da PF atuam como locais de custódia temporária para detidos. O ministro Mendonça justificou a medida, argumentando que essas instalações não possuem estrutura adequada para a manutenção prolongada de presos, devido à falta de aparato funcional especializado e de rotinas próprias de estabelecimento prisional, como assistência médica regular, visitas e acompanhamento psicossocial.
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Além disso, a permanência prolongada dos investigados na PF impactaria as atividades de polícia judiciária e aumentaria os riscos de segurança institucional.
Detalhes da Prisão e Riscos Identificados
A decisão do STF ressalta a importância do grupo conhecido como “A Turma”, responsável por monitorar, intimidar e coletar informações sobre pessoas consideradas ameaças aos interesses do grupo liderado por Vorcaro. Há indícios de que o grupo contratado teria obtido acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol.
As investigações revelam que o grupo atuava para monitorar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes, obter dados sigilosos por meio de acessos indevidos a sistemas restritos, pressionar pessoas críticas ao banco e tentar remover conteúdos negativos na internet.
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Mensagens e Intenções de Intimidação
Análises de mensagens trocadas por Vorcaro revelam pedidos para “levantar tudo” sobre determinados alvos e sugestões de intimidação. Em uma conversa, Vorcaro expressa o desejo de “mandar dar um pau nele” em um jornalista, Lauro Jardim, do jornal O Globo, e simular um assalto.
Marilson Roseno da Silva, ex-policial federal, admitiu estar “em cima de todos os links negativos” e que iriam “derrubar todos e vamos soltar positivas”. Essas declarações indicam a intenção de intimidar a imprensa e até simular um episódio de violência para silenciar as possíveis críticas.
Reações e Posicionamento do Jornal
O jornal O Globo repudiou veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A publicação afirmou que os jornalistas não se intimidarão com as ameaças e devem seguir cobrindo o caso.
Em outra situação, Vorcaro reclamou de uma empregada que o ameaçava, solicitando que Roseno “puxasse” o endereço da funcionária. A Polícia Federal acredita que o grupo liderado por Vorcaro tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.
Contexto da Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira durante nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes. A prisão foi decretada após indícios de que o grupo tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.
A acusação indica que o controlador de Vorcaro lideraria uma estrutura dividida em quatro frentes: financeira, corrupção institucional, ocultação patrimonial e um núcleo voltado à intimidação e interferência em apurações. A investigação aponta que o Banco Master adotou uma estratégia de captação de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado, direcionando o dinheiro para operações de alto risco e ativos de baixa liquidez.
