Multitarefa: Mito ou Realidade? Evidências Científicas Revelam o Impacto no Desempenho
Ainda que a ideia de realizar várias atividades ao mesmo tempo seja vista como uma virtude em muitos ambientes, pesquisas científicas mostram que a realidade é bem diferente. A prática de tentar fazer várias coisas simultaneamente persiste, apesar de desafiar o funcionamento natural do cérebro humano.
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No dia a dia, é comum encontrar pessoas respondendo mensagens enquanto analisam relatórios ou participando de reuniões, ao mesmo tempo em que lidam com outras tarefas.
No entanto, para a neurociência, essa abordagem não representa eficiência. Como ressalta a autora Thaís Gameiro, o conceito de multitarefa é um dos mitos mais persistentes sobre desempenho cognitivo. Estudos realizados pela Universidade de Stanford indicam que apenas uma pequena porcentagem da população – cerca de 2% – consegue executar múltiplas tarefas em paralelo com um desempenho adequado.
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Para a maioria das pessoas, o comportamento multitarefa resulta em perdas significativas. Ao tentar dividir a atenção entre diferentes atividades, o cérebro não consegue executá-las de forma simultânea. O que acontece é uma troca rápida de foco, conhecida como troca atencional.
Cada mudança exige um novo período de engajamento cognitivo, o que acaba desperdiçando tempo.
O resultado final costuma ser o oposto do esperado: mais tempo gasto para entregar menos resultados. Além disso, a multitarefa aumenta a probabilidade de erros. A atenção funciona como um filtro, priorizando informações relevantes e ignorando outras.
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Quando o cérebro está dividido, esse filtro perde sua eficiência, permitindo que informações importantes sejam deixadas de processar, o que pode levar a falhas e retrabalho. Estudos apontam que a taxa de erros pode aumentar em até 20% quando as tarefas são executadas de forma alternada.
Outra consequência frequente da multitarefa é o aumento do estresse. A necessidade constante de alternar o foco eleva a pressão sobre o cérebro e as emoções. Pesquisas mostram que essa prática está associada à maior liberação de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol, o que pode ter efeitos negativos na saúde e no bem-estar.
No ambiente corporativo, isso pode agravar quadros de cansaço e queda no desempenho.
Diante dessas evidências, organizações estão sendo incentivadas a repensar suas práticas de gestão. Como defende Thaís Gameiro, o comportamento multitarefa não deve ser visto como uma habilidade desejável. As pesquisas sugerem que ele pode levar a perdas de produtividade próximas a 40%, reforçando a importância de culturas de trabalho baseadas em foco, priorização e organização.
