Nexiqon inova com telhados feitos de resíduos industriais em SP

Nexiqon revoluciona indústria com telhados sustentáveis produzidos em SP e que reduzem emissões de carbono.

17/07/2026 11:19

4 min

nexiqon_jaderson
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O setor das telhas brasileiras está passando por um processo disruptivo: em vez de dependerem apenas de fibrocimento ou cerâmica tradicional, novas empresas estão transformando rejeitos industriais difíceis de descartar em materiais construtivos superiores.

A Nexiqon é essa empresa pioneira no segmento; ela inaugurou sua fábrica em março na cidade de São José dos Campos com uma proposta que promete não só ser sustentável, mas também mais eficiente do ponto de vista técnico – econômico comparada aos produtos existentes há décadas.

Da sucata industrial ao novo padrão para o Brasil

Segundo a própria companhia, os novos telhados produzidos pela Nexticon utilizam resíduos diversos como matéria – prima. Entre eles estão tubos retirados da pasta de dente e blísteres farmacêuticos vazios, além de areia proveniente de fundição metálica.

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A fábrica opera em um espaço totalizando 3.200 metros quadrados e possui uma capacidade impressionante: ela pode absorver até 22 milhões de quilos de rejeito por ano na região do Vale Paulista. Isso permite que a Nexiqon produza mais de 90 mil novas telhas mensalmente para o mercado nacional.

Os problemas crônicos das construções tradicionais

O CEO da empresa, Jaderson Yelisetty, aponta falhas estruturais no uso dos materiais dominantes hoje em dia.

Ele afirma que há um problema recorrente com cada tipo principal:

“Com tempo ela vira quase como papel”, alerta ele sobre os painéis de fibrocimento absorverem muita umidade e acabarem por trincar. Já também criticou a cerâmica pelo peso elevado do material na instalação ou o aço galvanizado pela tendência ao superaquecimento sob sol forte.”

A tecnologia para superar as limitações

Para desenvolver uma solução superior aos desafios apontados — além da fragilidade das telhas, é preciso considerar ainda fatores ambientais —, Jaderson Yelisetty destaca outro ponto: toda a construção civil brasileira responde hoje pelos 38% totais dos gases poluentes (CO 2) emitidos no mundo.

O grande desafio técnico era saber qual seria a melhor composição de resíduos. Como há inúmeros tipos diferentes desses rejeitos industriaiscomo plástico aluminizado e areia de fundiçãomisturar um pouco de cada não garantia o resultado desejado.

A saída foi aplicar inteligência artificial para simular virtualmente milhões de testes possíveis em laboratório; esse sistema conseguiu filtrar as combinações mais viáveis, economizando anos preciosos de pesquisa física na bancada.”

Modelo econômico: preço acessível com alto desempenho

Daniela Kallas, advogada que cuida das relações institucionais da Nexiqon, enfatiza outro ponto crucial do projeto. Ela ressalta que a empresa alcançou uma tecnologia altamente avançada sem elevar os custos finais.

“O nosso produto tem um custo idêntico ao fibrocimento disponível no mercado hoje”, afirma Daniela. Segundo ela, o material não só é isolante térmico e acústico e impede propagação de chamas como também garante condições melhores para famílias em situação mais vulnerável.”

Estratégia logística: fábricas menores perto dos clientes. A estratégia comercial desenhada pela equipe visa contornar problemas logísticos enfrentados pelas grandes construtoras do Norte ou Nordeste. Jaderson explica que as fabricantes tradicionais tendem a concentrar suas operações geograficamente.

“Quando a entrega passa muito longe — por exemplo, acima de 450 quilômetros —, toda margem econômica some”, diz ele. Por isso o plano é replicar plantas industriais ainda pequenas e descentralizadas próximas aos pontos onde há maior demanda no país.”

O futuro da construção civil com resíduos

Além das telhas simples (que são consideradas um ponto fácil para entrada na linha), os materiais desenvolvidos pela Nexiqon também incluem painéis específicos pensados para serem usados em sistemas construtivos como frame ou estruturas metálicas. Jaderson acredita que quem estiver inovando nos métodos de construir será forçado a passar pelos seus novos tipos de material.

“A gente consegue levantar uma fábrica nova num prazo muito curto, talvez dois meses”, afirma ele sobre o modelo replicável. Essa capacidade rápida e essa matéria – prima abundante — pois “lixo tem todo lugar” —, posicionam a empresa no centro da transição sustentável do setor.”

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