Debate global sobre nicotina muda o foco: combustão ou molécula? Especialistas de Áustria, Grécia e Índia debatem o risco real! Saiba mais.
Em um cenário onde o debate global sobre nicotina passa por uma revisão baseada em evidências científicas, o Brasil ainda opera com premissas que começam a ser questionadas internacionalmente. Este foi o ponto central discutido por especialistas reunidos nesta sexta-feira, dia 10, durante o simpósio Nicotina em Foco: Molécula, Evidências e Oportunidades em Pesquisa.
O evento marcou o primeiro encontro no país dedicado exclusivamente ao estudo da nicotina como molécula. Ele reuniu pesquisadores da Áustria, Grécia e Índia com um objetivo claro: mudar o foco da discussão dos meios de consumo, como o cigarro, para a análise científica da substância e seu perfil real de risco.
Participaram do encontro o farmacologista austríaco Bernhard Michael Mayer, o cardiologista grego Constantinos Farsalinos e o médico indiano Rohan Sequeira. A união de suas especialidades reforçou uma distinção crucial na literatura científica: nicotina e combustão não são sinônimos.
Constantinos Farsalinos pontuou que a associação da nicotina aos danos do tabagismo ocorre porque, historicamente, ela foi consumida através da combustão. Ele alertou que o equívoco persiste até entre médicos, com grande parte ainda ligando a substância ao câncer e a doenças cardiovasculares, percepções que não são sustentadas pelas evidências mais recentes.
Estudos apresentados no simpósio indicaram que produtos sem combustão não replicam o padrão de doenças associado ao cigarro tradicional. Dados sobre o uso de snus, por exemplo, apontam a ausência de um aumento relevante de risco para câncer ou problemas cardiovasculares.
“Se a nicotina fosse a principal causa, veríamos o mesmo padrão, e isso não acontece”, afirmou um dos palestrantes. Foi ressaltado que, na verdade, “as pessoas fumam por causa da nicotina, mas morrem por causa do alcatrão”.
Para Rohan Sequeira, a discussão exige uma mudança na maneira como o tema é abordado. “O desafio não é classificar a nicotina como boa ou ruim, mas entender seu perfil de risco de forma proporcional”, declarou.
Foram apresentados dados do projeto canadense International Tobacco Control (ITC), mostrando que 53,8% dos consumidores de alternativas tentaram parar de fumar, comparado a 36,3% entre não usuários, indicando maior chance de cessação. Além disso, análises toxicológicas apontaram reduções significativas na exposição a compostos nocivos ao eliminar a combustão.
Enquanto o debate internacional avança, o Brasil, apesar de seu histórico de sucesso no controle do tabagismo, encontra-se em um ponto de inflexão. A prevalência de fumantes caiu de 34,8% no final dos anos 1980 para cerca de 12,6% em 2019 (Vigitel), mas essa queda desacelerou.
Atualmente, cerca de 20 milhões de brasileiros ainda fumam, e o padrão de consumo mudou. Dados da PeNSE (IBGE) revelam que 16,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos, mesmo com proibições vigentes. Esse consumo ocorre sem qualquer estrutura regulatória adequada.
Os especialistas apontaram que, mesmo com proibições, o uso não é eliminado, apenas o controle é perdido. “Quando você proíbe, não elimina o uso — apenas perde a capacidade de controlar”, alertou Constantinos Farsalinos.
Enquanto países como Reino Unido e Suécia adotam estratégias de redução de danos, o Brasil mantém uma lógica regulatória uniforme. O simpósio deixou claro que o debate global mudou, e o maior risco no país reside no descompasso entre o que a ciência aponta e o que as políticas públicas estabelecem.
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