Nike divulga resultados trimestrais com queda acentuada na China

Nike enfrenta desafios na China com forte declínio das vendas após queda acentuada nos resultados trimestrais globais.

01/07/2026 08:55

4 min

Nike: calçadista tenta recuperar espaço perdido para rivais no mercado global.
Nike: calçadista tenta recuperar espaço perdido para rivais no m...

A Nike divulgou nesta terça – feira, dia 30 de maio, os resultados referentes ao quarto trimestre fiscal de 2026 e o balanço geral da maior fabricante global de artigos esportivos.

Embora a companhia tenha superado as expectativas do mercado financeiro em alguns indicadores importantes, como sugerido pela LSEG, o desempenho não foi suficiente para animar investidores; consequentemente, ações caíram cerca de 4% no after – hours e acumulavam baixa de 1% durante o pregão regular.

A receita recuou anualmente por um percentual menor que esperado (US 10,97 bilhões), mas esse número ainda mostra uma queda na comparação anual, chegando ao patamar dos US 10,86 bilhões projetados pelos analistas médios

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Desempenho misto: lucro ajustado supera consenso

O resultado do trimestre apresentou números ambíguos em diversas frentes operacionais da Nike. O indicador mais positivo foi o lucro líquido por ação ajustado, registrado em US 0,20; este valor também superou significativamente a estimativa de mercado feita pelo setor financeiro.

No entanto, os investidores precisam ter cautela com as leituras superficiais desses dados financeiros. Os resultados reportados totalizaram 0,72 por ação e incluem um benefício substancial de US 0,52 ligado à recuperação esperada das tarifas de importação — impacto que distorce bastante qualquer análise pura do desempenho operacional real

China como principal desafio regional

A maior preocupação estrutural da empresa continua sendo o cenário na China. As vendas registraram uma queda expressiva no trimestre: houve recuo em 12% nas unidades vendidas.

Se analisarmos a moeda constante para ter mais clareza sobre os números reais, essa retração foi ainda pior; as despesas caíram 17%, um número muito acima dos 10% já registrados no mesmo período anterior. Apesar disso, esse resultado veio melhor até que previsto pela própria Nike internamente — quando havia projetado cair 20%

Mercados e canais de venda. Apesar da dificuldade chinesa – onde marcas locais como Anta e Li Ning têm pesado bastante devido ao portfólio menos competitivo –, o desempenho na América do Norte voltou – se positivo em contraste.

Nesta região americana houve crescimento nas vendas para cerca de 3%. Esse aumento impulsionou a receita atacadista (wholesale) geral por um índice maior: ela cresceu 4%, no consolidado. Contudo, mesmo nos pontos fortes regionais, os desafios persistem; especificamente no canal direto consumidor (“Nike Direct”), as receitas caíram sete% — ou nove% quando ajustadas pela moeda constante

Plano estratégico sob pressão e tarifas

O CEO Elliott Hill está liderando uma reestruturação que visa reconectar o nome Nike com esportes específicos como corrida e futebol em campo. O plano também busca reconstruir laços importantes junto aos varejistas do atacado.

Essas relações foram cortadas durante a gestão anterior de John Donahoe por causa da tentativa mal – sucedida de apostar exclusivamente no modelo “direto ao consumidor”. Embora ele tenha se mostrado encorajado pelo progresso nos produtos *performance*, reconheceu os ventos contrários nas receitas

Visão dos analistas. Analistas, contudo, permanecem céticos quanto à rapidez dessa virada corporativa. Para o Key Banc Capital Markets rebaixou recentemente as notas sobre ações e não espera avanços relevantes até que haja detalhes mais concretos do plano.

O Goldman Sachs e JPMorgan já haviam reduzido suas recomendações em meses anteriores; ambos citaram ajustes complexos de estoques e portfólio ainda pendentes na China e também no mercado europeu (EMEA.

Impacto das tarifas e queda histórica da ação

A Nike registrou um benefício significativo relacionado a reembolsos tarifários, totalizando US986 milhões nos três primeiros meses encerrados em maio. Esse valor é importante porque o balanço havia estimado inicialmente custos com taxas muito maiores — cerca de US 1,5 bilhão.

É preciso notar que os consumidores já haviam acionado ações contra a companhia por não devolver reajustes causados pelos aumentos tarifários feitos ano passado; essa informação foi reportada pela Reuters

Por fim, no mercado financeiro geral, as dificuldades se refletem na cotação: desde início do exercício fiscal de 2026 (NKE), a ação acumulou uma desvalorização superior aos 35%, e nos últimos cinco anos ela caiu em aproximadamente 75%. Essa queda prolongada coloca o papel NKE sob risco potencial mesmo para ser removido do índice Dow Jones Industrial Average.

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