Nova Norma Trabalhista Foca em Saúde Mental no Ambiente Corporativo
Durante muito tempo, a saúde mental dos trabalhadores foi um tema secundário nas empresas. Frequentemente, abordava-se a questão através de campanhas internas isoladas ou iniciativas pontuais do departamento de Recursos Humanos, sem que fosse considerada parte integrante da estratégia de gestão.
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A recente atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor em 2026, muda radicalmente esse cenário ao exigir que empresas identifiquem e tratem de forma estruturada riscos psicossociais, como estresse crônico, sobrecarga de trabalho, assédio moral e sexual, e metas inatingíveis.
Essa nova exigência amplia significativamente a responsabilidade das empresas sobre fatores que antes eram frequentemente atribuídos ao indivíduo. A liderança, portanto, estará sob uma nova pressão, buscando adaptar seus métodos de gestão a essa nova realidade.
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Carla Martins, vice-presidente do SERAC, um hub de soluções corporativas, destaca que a mudança expõe fragilidades presentes em muitos modelos de gestão tradicionais, que se baseiam em pressão constante e falta de organização, gerando impactos negativos na saúde e no desempenho dos colaboradores.
Impactos Globais e Nacionais
A magnitude do problema é alarmante. A Organização Mundial da Saúde estima que 12 bilhões de dias úteis são perdidos anualmente devido à ansiedade e depressão, resultando em uma perda de 1 trilhão de dólares para a economia global. No Brasil, segundo dados de 2025, mais de 546 mil benefícios por incapacidade foram concedidos por transtornos mentais e comportamentais, um recorde histórico e um aumento significativo em relação ao ano anterior.
Mudanças Sistêmicas e Novos Desafios
Com a nova exigência regulatória, deixa de ser uma pauta pontual e passa a exigir mudanças sistêmicas que envolvem metas, processos, cultura organizacional e, principalmente, a liderança. Não se trata de transformar gestores em terapeutas, mas de exigir líderes mais preparados para organizar o trabalho de forma sustentável.
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Ambientes marcados por urgência permanente, metas difusas e comunicação pouco clara tendem a aumentar erros, retrabalho e rotatividade.
Liderança e Gestão Sustentável
A norma força uma discussão sobre a importância de lideranças preparadas para lidar com os desafios da saúde mental no trabalho. A falta de preparo pode amplificar os riscos, enquanto uma liderança consciente e proativa pode criar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
A especialista Carla Martins ressalta que a norma não é um problema novo, mas sim uma forma de tornar visível um custo que muitas empresas preferiam ignorar.
Iniciativas Corporativas e Novas Abordagens
Diversas empresas já estão se movendo para responder à nova exigência. O SERAC, onde Martins trabalha, registrou um aumento na procura por capacitação em temas relacionados à gestão de pessoas, cultura corporativa e saúde emocional, com um investimento de mais de R$ 40 milhões em 2025, com projeção de ultrapassar R$ 60 milhões em 2026.
Empresas também estão investindo em consultoria organizacional e parceiros estratégicos para implementar programas de bem-estar e gestão de riscos psicossociais.
Foco no Bem-Estar e Saúde Emocional
A Chemitec Agro-Veterinária e a Vivo, por exemplo, implementaram programas de felicidade corporativa, com foco na prevenção e no acompanhamento da saúde emocional dos funcionários. A Chemitec criou o “Escritório do Cuidado”, um espaço físico com equipe multidisciplinar para oferecer suporte aos funcionários.
A Vivo lançou a plataforma digital de atenção primária à saúde, “Vivo Bem-Estar”, que oferece atendimento contínuo através do WhatsApp.
Conclusão: Um Novo Paradigma na Gestão
A NR-1 representa uma mudança de paradigma na gestão empresarial, reconhecendo a importância da saúde mental dos trabalhadores como um fator crítico para o sucesso da organização. A tendência é que as empresas invistam cada vez mais em programas de bem-estar, liderança e cultura organizacional, buscando criar ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
A questão é se as empresas estão realmente preparadas para abraçar essa nova realidade e se a NR-1 se consolidará como uma ferramenta eficaz para proteger a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
