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“O Auto da Compadecida 2” terá uma história nova, mas ainda se baseará no mundo de Suassuna


“O Auto da Compadecida 2” terá uma história nova, mas ainda se baseará no mundo de Suassuna
(Foto Reprodução da Internet)

O filme “O Auto da Compadecida 2” terá trama original, mas respeitará o universo lírico de Ariano Suassuna. A afirmação foi feita pelo ator Selton Mello, um dos protagonistas, em um painel da CCXP23 neste sábado (2).

O diretor Guel Arraes (“Lisbela e o Prisioneiro”; “Caramuru”; “O Bem-Amado”; “A Grande Família”) afirmou à CNN que encontrou dificuldades em realizar a continuação do filme devido ao fato de ser uma obra clássica da literatura e do cinema no Brasil.

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No cinema é frequente ter continuações, como no caso do Homem-Aranha. Mas aqui a diferença é que estamos dando continuidade a uma história clássica. É como se fizéssemos O Avarento 2, baseado em uma peça de Molière. Ou Hamlet 2, inspirado em Shakespeare.

Arraes estava presente no evento, mas preferiu ficar na plateia e assistir à divulgação feita pelos atores principais: Matheus Nachtergaele, que interpreta João Grilo; Taís Araújo, que interpreta Nossa Senhora; e Mello, que interpreta Chicó.

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“Só uma cópia iria ficar uma coisa insossa, e nós não iríamos ser fiéis. A nossa tentativa foi de nos superar para fazer uma continuação original que valesse a pena, que tentasse se equiparar ao original, mas, em cima de ombros de gigantes, que é o Ariano Suassuna”, completou o diretor.

O elenco do filme elogiou muito Guel Arraes pelo seu trabalho. Eles também falaram bem dos filmes anteriores que ele dirigiu e da continuação do “Auto da Compadecida”.

“Eu precisava ser fiel ao original, mas também trazer minha contribuição como roteirista e minha experiência do Nordeste, para que o resultado fosse realmente algo único.”

Veja fotos da Virgem Maria, que retratam ela como uma mulher negra

Os atores confirmaram que a sequência terá uma Nossa Senhora negra, interpretada pela atriz Taís Araújo.

“Eu conversei com a dona Fernanda. A gente conversou sobre a Nossa Senhora e sobre a importância dela ter muitas representações. Ela é a nossa grande dama do cinema brasileiro. Não daria para substitui-la. Então, estamos fazendo uma outra Nossa Senhora”, disse Thais Araujo.

A atriz também disse que no cinema brasileiro há pouca representação de homens e mulheres negros e ressaltou a importância de aumentar essa representatividade.

“Não queremos ser definidos como pretos de um único jeito. Isso não nos deixa expressar quem somos. Não! Somos diversos. As mulheres pretas são muito menos representadas, inclusive nos filmes que retratam favela”, afirmou Taís.

“Não queremos ser um problema, somos o recurso mais valioso deste país”, disse.

João Grilo e Chicó fizeram história

Depois de serem aplaudidos pelo público da CCXP23, os atores compartilharam como a fama do primeiro filme afetou suas vidas.

“Eu não posso mais falar ?não sei? [que as pessoas completam]”, disse Mello fazendo referência ao bordão de Chicó: “Não sei, só sei que foi assim” (veja o vídeo abaixo).

Chicó termina o primeiro teaser do filme com sua frase famosa, que foi mostrado no evento de forma exclusiva.

“Se eu estiver na sarjeta, um dia alguém virá me ajudar a sair de lá”, disse Nachtergaele. “Mas não será este aqui, venha, João Grilo.”

Em um vídeo, Selton Mello brinca sobre o bordão do personagem Chicó ao dizer: “Não posso mais falar, não sei”.

Selton Mello brinca sobre sua falta de conhecimento em relação a “O Auto da Compadecida”.


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