Oceano: Novo Gigante Econômico e Chave para Descarbonização Global

Oceano: Uma Nova Fronteira para a Descarbonização e o Desenvolvimento Econômico
A discussão sobre o combate à crise climática frequentemente foca na Amazônia, vista como o “pulmão do mundo” e um importante reservatório de carbono. No entanto, um novo estudo do Instituto Clima e Sociedade (iCS) revela um potencial inexplorado: o oceano.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, 19, aponta que a economia azul, que engloba atividades relacionadas ao mar, já movimenta cerca de US$ 2,6 trilhões globalmente – um volume que a colocaria entre as maiores economias do mundo, com um potencial de crescimento ainda maior até 2050, atingindo US$ 5,5 trilhões.
Maria Netto, diretora executiva do iCS, enfatiza que os oceanos desempenham um papel crucial na descarbonização, absorvendo mais de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global e entre 25% e 30% das emissões humanas. Além disso, o oceano sustenta uma vasta gama de atividades econômicas, desde a pesca e o turismo até o transporte marítimo e a produção de energia, demonstrando sua importância fundamental para a economia global.
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Brasil: Um País com Enorme Potencial Marítimo
O Brasil se destaca como um dos países mais bem posicionados para transformar o potencial marítimo em estratégia de desenvolvimento. Com uma extensa costa de mais de 7 mil quilômetros, forte dependência de infraestrutura marítima e oportunidades para expandir energias eólicas offshore, combustíveis verdes e mercados de carbono azul, o país pode liderar a agenda da Década do Oceano da ONU, que será realizada em 2027 no Rio de Janeiro.
Desafios e Oportunidades
Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios para converter seu potencial marítimo em investimentos e infraestrutura. A coordenação entre políticas públicas, investidores e o setor produtivo é fundamental para superar a fragmentação atual e promover um desenvolvimento econômico sustentável.
A “Amazônia Azul”, a área oceânica sob jurisdição nacional, representa uma vasta extensão, com cerca de 18% da população brasileira e 16 regiões metropolitanas concentradas na costa, oferecendo um enorme potencial de desenvolvimento.
O Oceano como Regulador Climático e Motor Econômico
O estudo ressalta que os oceanos são essenciais para a regulação do clima global, mas também representam um motor econômico crucial. A economia azul abrange diversas atividades, incluindo energia offshore, transporte marítimo, pesca e aquicultura, turismo, biotecnologia marinha, carbono azul, infraestrutura portuária, restauração de manguezais e combustíveis sustentáveis para navegação.
A transição para uma economia azul pode impulsionar o Brasil no mercado de combustíveis alternativos para a navegação, aproveitando a pressão global para descarbonizar o transporte marítimo.
Riscos Climáticos e a Necessidade de Ação
A mudança climática já representa um risco econômico crescente para a economia azul, com cidades costeiras vulneráveis a eventos extremos, aumento do nível do mar e alterações na temperatura oceânica. Estudos apontam que o turismo em Salvador pode sofrer perdas econômicas significativas até 2100 devido aos impactos climáticos, e 21 portos públicos brasileiros já relataram aumento na ocorrência de eventos climáticos severos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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