O Peso da Escolha: Uma Visão da Oncologia Feminina
Escolher a oncologia como profissão nunca foi uma decisão simples. É um caminho que exige uma profunda compreensão da complexidade humana, da responsabilidade e, acima de tudo, da capacidade de se conectar com as pessoas em seus momentos mais vulneráveis.
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Ao longo de meus 14 anos dedicados à medicina, e aos meus 36 anos de prática, aprendi que tratar o câncer não se resume a seguir protocolos rigorosos. Trata-se de acompanhar a jornada de cada paciente, de entender a história por trás de cada diagnóstico.
Histórias e Desafios
Meu trabalho exclusivo na oncologia feminina me permite vivenciar diariamente a força e a resiliência de mulheres que enfrentam desafios imensos. Mulheres que recebem notícias devastadoras, mas que continuam a desempenhar seus papéis – mães, filhas, profissionais, cuidadoras – com uma determinação admirável.
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Acredito que aprendo tanto com elas quanto elas comigo, e essa troca constante me motiva a aprimorar minha prática.
Sensibilidade e Empatia
A oncologia feminina adiciona uma camada extra de sensibilidade ao trabalho. Estamos lidando com tumores que afetam órgãos intimamente ligados à identidade, à sexualidade e, frequentemente, ao sonho da maternidade. O tratamento não se limita ao corpo; são projetos de vida inteiros em jogo.
Cada consulta exige um equilíbrio delicado entre oferecer informações claras e baseadas em ciência, e acolher os medos que muitas vezes permanecem silenciados. É preciso ter serenidade para sustentar decisões difíceis.
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Liderança e Integração
Ser mulher nesse ambiente também apresenta desafios, considerando que a medicina ainda é permeada por estruturas historicamente masculinas. Construir liderança feminina exige preparo e segurança. Participar de mentorias e redes de apoio entre mulheres tem fortalecido minha trajetória profissional e a convicção de que ocupamos espaços que também nos pertencem.
Acredito que a integração entre minha vida profissional e pessoal me permite enxergar minhas pacientes além do prontuário, compreendendo suas necessidades e sonhos.
Além do Jaleco
Fora do consultório, sou uma mulher como qualquer outra. Tenho o sonho de ser mãe, amo ler, buscando sempre ampliar minha compreensão sobre o mundo e as pessoas, e adoro música, como vibrei recentemente em um show do AC/DC. Essas paixões complementam minha vida profissional, me proporcionando energia e perspectiva.
A oncologia me ensina sobre finitude, mas também sobre potência, sobre fragilidade e resistência, sobre perdas e recomeços.
É um privilégio testemunhar a força e a resiliência das mulheres que encontro em minha jornada. Elas são, como tantas vezes ouço e confirmo, “pontas firmes”, sustentando famílias, carreiras e sonhos, mesmo sob pressão. Ser médica nesse contexto é assumir a responsabilidade de unir ciência e empatia, lembrando que cada decisão técnica impacta uma história real.
E é reconhecer que, antes de sermos profissionais, somos mulheres vivendo, aprendendo e sonhando.
