ONU e China alertam para instabilidade global e violações da soberania internacional. Ações de Trump na Venezuela e na América Latina geram preocupação.
A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou nesta terça-feira, 6, grande preocupação com a situação instável em um determinado país e alertou para o que considera uma grave violação de um princípio fundamental do direito internacional.
A declaração foi feita por Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.
Shamdasani enfatizou que “nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado”. A declaração veio em resposta a crescente instabilidade e tensões no país em questão.
Na véspera, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já havia feito um apelo direto aos países, pedindo respeito aos princípios de soberania, independência política e integridade territorial dos Estados. As palavras de Guterres foram lidas em seu nome pela vice-secretária-geral das Nações Unidas, Rosemary DiCarlo.
DiCarlo citou Guterres, expressando sua profunda preocupação com a possível intensificação da instabilidade, o impacto potencial na região e o precedente que essa situação poderia criar no relacionamento entre os Estados.
Posição do Brasil na ONU
Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil manifestou sua posição contrária à intervenção armada em território venezuelano e ao bombardeio do país. Sergio Danese, representante do Brasil na ONU, fez um discurso nesta segunda-feira, 5, reiterando a rejeição categórica à intervenção.
Danese criticou a ação, considerando-a uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. Ele ressaltou que a situação ultrapassa um limite inaceitável, constituindo uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecendo um precedente perigoso para a comunidade internacional.
Danese alertou que a aceitação de ações dessa natureza levaria a um cenário de violência, desordem e erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais. Ele mencionou que os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança internacional resultaram em 61 conflitos armados ativos e 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias.
China Manifesta Preocupação com a América Latina
Geng Shuang, representante da China, expressou preocupação com o impacto da ação dos Estados Unidos na América Latina. Ele afirmou que a prisão de Nicolás Maduro representa uma grande ameaça para os países da região.
Shuang destacou que os Estados Unidos colocaram seu poder acima do multilateralismo e a ação militar acima da diplomacia, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina, no Caribe e no mundo. Ele enfatizou que os países da América Latina e do Caribe são forças importantes na manutenção da paz e da estabilidade global e têm pleno direito de escolher “seus próprios caminhos de desenvolvimento”.
O diplomata chinês reforçou que a China está “profundamente chocada e condena fortemente” os atos do governo Donald Trump. Ele defendeu que os Estados Unidos violaram os princípios de soberania da Venezuela. “Nenhum país pode agir como a polícia do mundo, nem se presumir juiz internacional”, afirmou.
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