Organização das Nações Unidas solicita ao Brasil detalhamento do plano de acolhimento para a Cúpula das Nações Unidas

Preços elevados e a ameaça de exclusão de nações em desenvolvimento geram preocupação global, em vista da próxima cúpula em Belém.

30/07/2025 20h48

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(Imagem de reprodução da internet).

A Organização das Nações Unidas solicitou formalmente ao governo brasileiro uma posição sobre as condições de hospedagem da COP30, que ocorrerá em Belém do Pará em novembro. A solicitação veio após uma reunião de emergência realizada em Bonn, na Alemanha, onde representantes de países africanos relataram a impossibilidade de participação devido à falta de acomodações com preços acessíveis. Relatos indicam que hotéis e aluguéis estão cobrando valores até cinco vezes acima da diária máxima permitida para delegações da ONU, que é de 149 dólares. Há registros de preços chegando a 700 dólares por noite, valor incompatível com a presença de países em desenvolvimento. A ONU deu ao Brasil até 11 de agosto para apresentar um plano de ação que garanta hospedagem acessível e segura a todas as delegações.

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O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério do Turismo, afirma já ter mapeado mais de 30 mil acomodações, superando a exigência mínima de 20 mil. O plano inclui desde hotéis até o uso de navios-cruzeiro atracados em Belém, com capacidade para cerca de seis mil pessoas, além de residências adaptadas e alojamentos escolares. A proposta também prevê que os preços para delegações de países mais vulneráveis fiquem entre 100 e 220 dólares por dia, com apoio logístico.

Apesar disso, especialistas alertam que o número total de leitos disponíveis ainda pode ser insuficiente para a demanda esperada, que deve superar 45 mil pessoas, somando delegações, imprensa, sociedade civil e lideranças indígenas.

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O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reconheceu publicamente que os preços cobrados na cidade são “constrangedores” e defendeu mais transparência e responsabilidade dos envolvidos na organização local.

A controvérsia sobre a hospedagem evidencia uma vulnerabilidade na organização da conferência em uma capital que ainda apresenta deficiências em infraestrutura, mobilidade e rede hoteleira.

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Apesar da escolha de Belém ter sido estratégica – por seu valor simbólico na luta climática –, há denúncias de especulação imobiliária e aumento excessivo de preços, inclusive por plataformas de aluguel de curta temporada.

A situação já preocupa ONGs, coletivos sociais e representantes de países africanos, asiáticos e da América Latina, que podem ter sua participação comprometida pela falta de recursos.

A COP30 será a maior conferência climática já realizada no Brasil e um marco global nas discussões sobre financiamento climático, justiça ambiental e perdas e danos.

A presença dos países mais afetados pela crise climática é fundamental.

Sem um plano sólido de logística e acolimento, o Brasil corre o risco de frustrar as expectativas da comunidade internacional e comprometer o princípio de inclusão que deveria guiar as negociações.

Em menos de cinco meses do início do evento, a ONU faz um apelo claro: o país precisa agir rapidamente para garantir que todos tenham lugar à mesa.

Fonte por: Jovem Pan

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