Ortega anuncia fim de eleições na Nicarápia para evitar retorno do poder

Ortega elimina eleições na Nicarápia para evitar retorno do poder com reformas constitucionais em 2026.

20/07/2026 15:49

3 min

JUAN BARRETO / AFP
JUAN BARRETO / AFP

O presidente Daniel Ortega declarou neste domingo (19) não haverá eleições na Nicarágua para impedir o retorno do governo à oposição foragida ou ao exílio.

“Esqueçam, aqui [na Nicarágua] não haverá mais eleições para que assim tentem tomar o governo e tomar o poder”, afirmou ele durante um ato realizado em Manágua pelo aniversário de 47 anos da Revolução Sandinista.

Ortega reforça controle político após reformas constitucionais

Daniel Ortega tem governado a Nicaragua com grande grau de autoridade junto aos seus aliados. O líder nicaraguense está no cargo há quase duas décadas; começou seu mandato na década de 1980 e retornou à presidência formalmente somente em 2007.

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Desde então, exerce esse comando ao lado de sua esposa Rosario Murillo. A situação política foi consolidada por meio do questionamento ou anulação dos adversários eleitorais nas últimas votações realizadas pelo país.

Mudanças legais visam frear o poder da oposição. Em fevereiro de 2025 entrou com vigor uma reforma completa da Constituição Política que alterou a independência entre os poderes estatais. Essa mudança concedeu totalidade aos mandatos para Ortega e Murillo; além disso, elevou o cargo dela de vice – presidente a copresidente junto à presidência nicaraguense.

“Vamos trabalhar […] porque é preciso fazer leis que levantem um muro, um bloqueio contra os golpistas,” declarou ainda ele em Manágua ao lado dos filhos. A intenção seria aprovar legislação capaz de impedir qualquer tentativa política vinda do exterior ou daqueles considerados “vendedores da pátria” chegaram novamente às funções governamentais na Nicarágua.

Contexto político: repressão após protestos

O controle sobre toda a sociedade foi reforçado pelo governo especialmente depois das manifestações ocorridas nos anos de 2018. Segundo dados apresentados pela ONU, essa onda de protestos resultou no óbito de mais de 300 pessoas e levou à perseguição sistemática aos opositores políticos.

Muitas figuras críticas ao regime — incluindo jornalistas, intelectuais religiosos— foram presas ou forçadas para viver em exílio internacional junto com seus bens nacionais; os adversários também tiveram sua nacionalidade suspensa.

Milhares de nicaraguenses vivem atualmente como refugiados na Costa Rica, Espanha e Estados Unidos da América do Norte. Apesar disso, grupos que representam a oposição mantêm esperança através dos movimentos internacionais por eleições livres ou uma transição democrática no país. Declarações sobre futuro eleitoral

“Eles vêm conspirando […] buscando como organizar partidos,” afirmou Ortega ao se dirigir aos milhares de apoiadores reunidos. Ele desqualificou qualquer expectativa externa: “aqui acabou a história de que os partidos colocados pelos ianques [Estados Unidos] voltarão a chegar ao governo; jamais”, enfatizou em seu discurso público realizado naquele domingo (19.

O presidente também fez questão, ainda na ocasião do ato pelo 47º aniversário da Revolução Sandinista, lembrar o histórico político. Ele é um ex – guerrilheiro pertencente à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), movimento esquerdista responsável por derrubar no ano de julho de 1979 uma ditadura com duração de quarenta e dois anos liderada pela família Somoza.

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