“Padre Júlio Lancellotti vive seguindo o exemplo de Jesus”, diz Lula
04/01/2024 às 19h25
O presidente Lula (PT) defendeu o padre Júlio Lancellotti em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (4). O padre foi alvo de um pedido de CPI na Câmara Municipal de São Paulo.
Lula deu “graças a Deus” por existirem “figuras como o padre” na cidade, que junto da Diocese de São Paulo, “são essenciais para dar algum amparo a quem mais precisa”.
Lula escreveu que o padre se dedica a seguir o exemplo de Jesus, sem mencionar a CPI.
Graças a Deus, temos pessoas como o @pejulio em São Paulo. Ele tem se dedicado por muitos anos para dar dignidade, respeito e cidadania às pessoas em situação de rua. Ele se inspira em Jesus e seu trabalho está mudando vidas.
A Janja da Silva, esposa do presidente, também publicou dizendo que o padre Lancellotti “ensina todos os dias sobre amor e cuidado com os outros e sua dedicação é um grande exemplo de fé cristã”.
Os ministros tomam posição.
O posicionamento do presidente da república ocorre logo após ministros do governo federal saírem em defesa do religioso.
O ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, publicou em seu perfil que Lancellotti é o “padre dos pobres” e fez associações bíblicas sobre o risco de uma CPI.
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O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nas redes sociais que é surpreendente e parece haver uma intenção de perseguir defensores da justiça social ao propor uma CPI contra o padre.
O ministro Paulo Pimenta da Secretaria de Comunicação Social disse que o Padre está sendo atacado por pessoas que não entendem ou seguem os verdadeiros valores cristãos.
A CPI
O vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP) fez um pedido à Câmara Municipal para investigar a atuação das ONGs na Cracolândia. O padre também será investigado.
No pedido feito pelo vereador, ele argumenta que as ONGs não estão isentas de fiscalização, já que elas podem receber “financiamento público para realizar suas atividades”.
O requerimento não menciona nenhuma organização específica, mas Nunes informou que duas organizações serão investigadas: o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (Bompar) e a Craco Resiste.
O vereador disse que todas as outras empresas que atuam no centro de São Paulo, segundo ele, fazem parte de uma máfia que lucra com a miséria.
O político também mencionou o trabalho do padre Júlio Lancellotti. “Ele lidera tudo isso, então ele será chamado assim que a CPI for criada”.
De acordo com o presidente da Câmara, Milton Leite (União Brasil), o assunto será discutido em uma reunião do grupo de líderes quando o recesso parlamentar terminar, em fevereiro.
Serão preciso dois votos em plenário para que isso ocorra. O primeiro para criar uma nova CPI na Câmara e o segundo para escolher a CPI das ONGs.
O que diz o padre Lancellotti
O padre Júlio Lancellotti disse que CPIs são “legítimas”, mas que ele não faz parte de nenhuma organização não governamental (ONG).
O padre declarou que as CPIs são legítimas e um direito do poder legislativo. Ele também afirmou que as CPIs precisam ter um objetivo específico.
“E o objetivo dessa CPI é investigar a política pública para pessoas que são dependentes químicas, principalmente aquelas que vivem nas ruas. As organizações da sociedade civil (OSCs) são responsáveis por implementar essas políticas em parceria com o poder público, mas eu não faço parte de nenhuma OSC”, explicou.
O padre também disse que a “atividade da Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que por sua vez, não se encontra vinculada de nenhuma forma às atividades que constituem o objetivo do requerimento aprovado para criação da CPI em questão”.
O que as organizações mencionadas estão dizendo
O coletivo Craco Resiste afirmou que não é uma ONG, mas sim um projeto de militância que luta contra a opressão junto às pessoas socialmente vulneráveis da região da Cracolândia.
“Vemos esse tipo de ataque como uma forma de desviar a atenção do assunto principal, que é a violência policial e a alegada repressão ao tráfico de drogas. Isso só perpetua o desperdício de dinheiro.”
Já o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto comunicou, também através de nota, que o “padre Júlio Lancellotti não é membro associado, conselheiro ou diretor do Centro social Nossa Senhora do Bom Parto, tampouco exerce algum cargo em nossas unidades de atendimento”.