Passarelas e marcas: o “encontro” que impulsiona a moda brasileira globalmente?

As passarelas como Estratégia de Negócios na Moda Brasileira
As passarelas, mais do que palcos para exibir coleções, funcionaram como um palco para reafirmar uma estratégia de negócios na moda nacional. Essa estratégia se baseia na colaboração entre marcas de universos muito distintos.
O encontro entre grifes autorais e nichadas com marcas de alcance massivo ou global não é novidade, mas no Rio de Janeiro, essa dinâmica ganhou uma intensidade notável. Executivos das marcas envolvidas apontaram que essas parcerias vieram acompanhadas de objetivos claros, como distribuição global, impacto social e a construção de uma narrativa de marca mais rica.
O Conceito de “Encontro” nas Colaborações de Moda
A palavra que mais ressoou nas conversas com os participantes dessas parcerias foi “encontro”, e não “estratégia”, “briefing” ou “campanha”. É com esse conceito que François-Ghislain Morillion, cofundador da Veja, marca franco-brasileira de tênis, descreve a origem de sua colaboração com a Misci.
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A ideia surgiu de uma amizade e só avançou porque havia uma divergência estética suficiente para gerar algo verdadeiramente novo. A estética minimalista da Veja encontrou as referências brasileiras da Misci. O ponto de convergência era evidente: valores, brasilidade e o compromisso com a cadeia produtiva local.
A Força do Atrito Criativo
Curiosamente, foi justamente o ponto de divergência estética que tornou a colaboração possível e interessante. Segundo Morillion, se as marcas fossem muito parecidas, jamais teriam chegado a esse ponto. O resultado desse atrito criativo é o primeiro tênis da grife de Airon Martin, com lançamento previsto para 28 de maio e distribuição mundial.
A Veja planeja um evento em Paris para apresentar o modelo à imprensa internacional, e as lojas selecionadas globalmente serão reformadas para receber o produto. A produção é limitada, entre 500 e 1.000 pares, o que eleva o status da peça a um verdadeiro objeto de desejo.
Vale lembrar que esta não é a primeira colaboração da Veja com marcas brasileiras, tendo já trabalhado com Lenny Niemeyer, Alexandre Herchcovitch e Carnan.
Casio e a Reinvenção do Acessório na Passarela
O relógio que foi transformado em broche chegou ao Rio Fashion Week durante o maior desfile da história da Misci, reunindo cerca de 900 convidados. A colaboração com a Casio ilustra bem a pluralidade possível nesse cenário.
A parceria com a japonesa Casio nasceu de uma provocação criativa: como integrar um relógio na narrativa da moda sem que ele ficasse apenas como um acessório funcional? A solução foi utilizar os modelos da linha Vintage como broches, incorporando-os à estética das peças.
O Valor Estratégico do Retrô
Para Fernando Fukuda, head de marketing da Casio Brasil, a presença na passarela da Misci marca um novo momento para a linha Vintage no país. Ele ressalta que, ao integrar o conceito criativo, os relógios deixam de ser apenas funcionais e passam a ser um código visual dentro da narrativa do desfile.
“Mais do que um movimento nostálgico, o retorno do retrô reflete uma necessidade de permanência. O que vemos hoje é uma releitura constante de códigos visuais que atravessam o tempo e a Casio Vintage se insere nesse contexto de forma natural, não como tendência, mas como origem”, afirmou Fukuda.
Expandindo o Ecossistema de Marcas
No caso da Piet, o desafio era levar sua estética a um público maior sem perder o reconhecimento da marca. A resposta veio através da colaboração com a Pool, resultando em 26 peças com forte referência ao universo do futebol, um tema que gera memória afetiva no público brasileiro.
Pedro descreveu o processo como orgânico e livre. Ele enfatiza que cada parceria deve funcionar como uma extensão do ecossistema da Piet, e não como uma mera inserção em outro. “Eu não só mantenho o DNA como eu espalho. Começo a ter um ecossistema maior”, explicou.
A Riachuelo, que esteve presente com Piet, Misci e Helô Rocha, vê a lógica da empresa não como volume de vendas, mas como a construção de uma narrativa de marca. Segundo a CMO da varejista, “Uma colaboração celebra os dois lados. A gente precisa olhar para um artista, entender que ele compartilha olhares e crenças que a nossa marca também acredita.”
Conclusão: Expansão em Vez de Diluição
Tanto os envolvidos quanto os executivos apontam para um objetivo comum: não buscar atalhos ou apenas volume. O foco está em criar um ecossistema de experiências. A mensagem geral é que o sucesso reside em provocar conversas e abrir espaço para novas leituras sobre o papel de cada elemento, seja um relógio, um tênis ou uma peça de vestuário, na moda contemporânea.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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