Pesquisadores afirmam que os EUA adulteraram dados de relatório climático

Relatório do DOE apresenta informações científicas imprecisas e tende a promover reversões ambientais, de acordo com especialistas.

01/08/2025 14h42

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(Imagem de reprodução da internet).

Pesquisadores informaram à agência de notícias AFP (Agence France-Presse) que o DOE (Departamento de Energia dos EUA) adulterou seus estudos em documento oficial que justificou a revogação de regulamentação sobre gases do efeito estufa. A afirmação foi feita na quinta-feira (1º.ago.2025) por cientistas cujos trabalhos foram mencionados de maneira imprecisa no relatório publicado em 29 de julho.

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A revogação da norma ocorreu após a publicação do documento elaborado por um grupo de trabalho que inclui John Christy e Judith Curry, cientistas que já foram ligados ao Heartland Institute, organização que frequentemente questiona o consenso científico sobre as mudanças climáticas.

A AFP detectou citações imprecisas, análises incorretas e erros de edição no documento divulgado pelo DOE. O governo Trump empregou o relatório para defender a revogação de uma decisão de 2009, que definia limites para emissões de gases que causam o efeito estufa nos Estados Unidos, diminuindo as políticas norte-americanas de enfrentamento às mudanças climáticas.

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Benjamin Santer, cientista climático e professor honorário da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, declarou à AFP: “O relatório distorce completamente o meu trabalho”. Ele explicou que uma seção do documento sobre o “resfriamento estratosférico” contradiz diretamente suas conclusões científicas.

Bor-Ting Jong, professora adjunta da Universidade Livre de Amsterdã, declarou à AFP: “Preocupa-me que uma agência governamental tenha publicado um relatório destinado a informar o público e orientar políticas sem passar por um rigoroso processo de revisão por pares, ao mesmo tempo que interpreta mal diversos estudos que de fato passaram por esse processo”. Jong acrescentou que o relatório apresenta afirmações falsas sobre o modelo climático analisado por sua equipe.

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James Rae, pesquisador do clima na Universidade de St. Andrews, na Escócia, avaliou que a maneira como o DOE passou a utilizar a pesquisa científica é “realmente alarmante”. Ele declarou: “O DOE esteve na vanguarda da ciência por décadas. Este relatório parece um exercício de estudante de graduação com o objetivo de distorcer a ciência climática”.

Esta é a terceira vez desde janeiro, quando Trump assumiu a presidência, em que cientistas informam à AFP que uma agência governamental norte-americana distorce pesquisas acadêmicas para justificar suas políticas. Em maio, a Casa Branca modificou um relatório sobre doenças que afetam jovens norte-americanos após se descobrir que o documento se baseava em estudos científicos inexistentes.

O relatório entrará em fase de consulta pública antes de sua publicação definitiva no registro federal, conforme informou um porta-voz do Diário Oficial da União (DOE), agência AFP.

Fonte por: Poder 360

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