Pesquisadores encontram vestígios de DNA em pintura rupestre antiga

Vestígios de DNA em pintura rupestre antiga revelam nova fonte histórica para estudos da Europa Pré-Histórica.

29/06/2026 20:02

3 min

Arte rupestre: paredes preservaram DNA humano por milhares de anos
Arte rupestre: paredes preservaram DNA humano por milhares de an...

Pesquisadores fizeram uma descoberta inédita ao identificar em pintura rupestres e nas paredes internas das cavernas pré – históricas vestígios de DNA humano antigo.

O achado pode revolucionar completamente os estudos sobre como surgiu a arte humana na Europa há milhares de anos, além de abrir caminhos futuros para determinar quem produziu certas pinturas ou se esses indivíduos também foram autores delas.

Vestígios genéticos revelam nova fonte histórica

A pesquisa foi divulgada pela revista New Scientist nesta última sexta – feira (26). Os resultados apontaram que as superfícies dessas grutas têm capacidade surpreendente em preservar material genético por longos períodos. Isso cria uma inédita e valiosa linha de investigação sobre grupos humanos antigos que frequentavam tais ambientes naturais da Península Ibérica.

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Entre 2022 e 2025, a equipe coletou amostras importantes em onze cavernas localizadas na Espanha e no Portugal cujas paredes exibem pinturas rupestres coloridas. O trabalho envolveu tanto o recolhimento minucioso de pigmento quanto calcita — um mineral natural formado nas rochas das cavidades.

O achado inesperado: mais do que apenas arte

Um dos pontos altos foi identificado por marcas vermelhas específicas dentro da Gruta do Escoural, localizada em Portugal; foram encontradas também áreas sem qualquer tipo de pintura artística visível. Segundo os pesquisadores, essa segunda descoberta se mostrou totalmente imprevisível para a equipe científica inicial. Ela sugere até mesmo que pessoas pré – históricas deixaram vestígios ao simples ato de tocar as paredes e superfícies internas dessas cavernas.

Limites na atribuição autoral das pinturas rupestres

Os cientistas alertam sobre o maior desafio inerente à pesquisa: é impossível atribuir diretamente um DNA encontrado numa obra de arte específica apenas ao seu artista original. Alba Bossoms Mesa, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, explica que esse material genético pode pertencer tanto à pessoa criadora da pintura quanto a alguém que tocou ali em momento posterior ou até mesmo por uma ação tão comum como espirrar próximo ao local.

Análise dos perfis e potencial futuro para Neandertais

Apesar dessa ressalva metodológica, os pesquisadores confirmaram que este tipo de vestígio biológico consegue permanecer preservado durante milhares de anos inteiros. Além disso, as amostras coletadas na Gruta do Escoural permitiram analisar o DNA das paredes: elas indicam três indivíduos predominantemente femininos e um masculino. O perfil genético encontrado apresentou maior semelhança com a população conhecida pelos chamados Homo antecessor, grupo vivido entre aproximadamente 17 mil e 5200 anos atrás.

Próximos passos da pesquisa. Como a caverna foi selada há mais ou menos quatro mil e cinco séculos (4-5k), os cientistas concluíram que é provável que esse material de origem genética seja muito anterior ao período dos neandertais. A equipe já iniciou novas coletas em outras grutas na Península Ibérica, incluindo locais onde parte das pinturas foram atribuídas aos Neanderta.

Segundo o time responsável pela investigação, se forem coletadas amostras com DNA suficiente nessas áreas, será possível investigar quem realmente produziu essas obras artísticas complexas.

Desafios da preservação do ADN

Apesar todo potencial científico apontado pelo achado inédito, o estudo também evidenciou a dificuldade extrema para preservar e recuperar este tipo específico de vestígio biológico no ambiente natural. Dos 24 painéis analisados por eles, somente um continha material genético humano detectável em suas superfícies pintadas ou calcárias, mostrando que essa forma de conservação é uma verdadeira exceção na arqueologia molecular. Por isso, serão necessárias novas técnicas científicas avançadas caso se deseje ampliar significativamente esta recuperação tão valiosa.

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