Petrobras mira México e Golfo do México; o que diz sobre Venezuela e EUA?

Petrobras foca no México em 2026! Saiba por que o Golfo Mexicano atrai a empresa e o que impede o retorno à Venezuela.

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(Imagem de reprodução da internet).

Estratégia de Expansão Internacional da Petrobras em 2026

A Petrobras tem avaliado ativamente oportunidades de expansão em diferentes países, adaptando suas estratégias conforme o cenário global de energia. Em uma entrevista concedida à EXAME, a presidente da companhia delineou prioridades distintas para cada mercado.

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Ela indicou que o foco principal da empresa está no México. Em relação à Venezuela, a possibilidade é vista como mais distante, devido a restrições significativas, como questões geológicas e sanções impostas.

Foco no Golfo do México e Distanciamento dos EUA

A presidente expressou grande interesse pelo Golfo do México mexicano. Embora reconheça a existência de reservas na Venezuela, ela ressaltou a complexidade de operar no país. “Golfo do México mexicano me interessa. Venezuela, dificílimo trabalhar lá, mas a reserva está lá e já está descoberta.

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Logo, me interessa. Agora, se nós vamos para lá ou não, é outra conversa”, afirmou.

Curiosamente, o olhar da presidente não se volta para os Estados Unidos, mesmo considerando a participação já existente da Petrobras no país. “O golfo mexicano é bom para nós. Por que o americano não é? Porque o americano já tá pra lá de explorado.

Se eu vou pra lá, vai ser pra achar coisa pouca. Eu até tenho um pedacinho de um campo lá, mas eu não vou achar nada maior lá”, explicou Chambriard.

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Critérios de Viabilidade Econômica para Investimentos

Para qualquer área considerada, a primeira etapa, segundo a presidente, será um estudo minucioso para determinar a viabilidade econômica do investimento. A reserva, por si só, não é suficiente para garantir o interesse da companhia.

“Para todos esses espaços, a primeira coisa que a gente tem que fazer é estudar e chegar à conclusão se vale a pena para nós economicamente ou não. A reserva pode estar lá, mas, para mim, ela só vale se ela for economicamente viável e se ela der, para mim, o retorno que a Petrobras pretende.

Se ela estiver lá, não for economicamente viável ou tiver um retorno a menor do que a gente pretende, não iremos”, detalhou a presidente, que completará dois anos na presidência da estatal em maio.

A África como Nova Fronteira Estratégica

A África ganhou um papel central na estratégia de expansão da Petrobras. Para Magda Chambriard, a margem atlântica africana representa uma aposta natural, aproveitando a experiência acumulada no pré-sal brasileiro.

“O que é fácil para a gente fazer? Águas profundas da margem atlântica africana. Porque é a mesma coisa que a gente tem aqui, é muito parecido”, comentou. Ela enfatizou que o que é familiar no Brasil facilita a operação no continente africano, citando países como São Tomé e Príncipe, Namíbia, Gana, Costa do Marfim e África do Sul.

Sustentando o Crescimento no Longo Prazo

Esse movimento de diversificação geográfica é uma resposta a um desafio estrutural: o estoque de reservas da Petrobras deve começar a declinar na próxima década. Assim, buscar novas áreas é visto como essencial para manter o crescimento sustentável.

A retomada no continente já começou com a aquisição de participações em blocos exploratórios em São Tomé e Príncipe, realizada em fevereiro de 2024. A empresa garantiu participações de 45% em dois blocos e 25% em um terceiro.

Atuação Consolidada nas Américas e o Pilar Brasileiro

Além da África, a Petrobras mantém forte presença nas Américas, com foco em gás natural e parcerias. Na Colômbia, a descoberta do poço Sirius-2, em consórcio com a Ecopetrol, foi notável, apresentando capacidade equivalente a quase metade da produção diária de gás no Brasil.

Outras operações incluem a participação de 33,6% no ativo Rio Neuquén, na Argentina, e a manutenção de 35% nos campos de San Alberto e San Antonio, na Bolívia. Nos Estados Unidos, o foco permanece no Golfo do México, através da Petrobras America Inc., em parceria com a Murphy Exploration & Production.

O Pré-sal e a Busca por Novas Fronteiras Nacionais

Apesar da expansão internacional, o Brasil permanece o pilar principal da Petrobras. O pré-sal, no litoral do Sudeste, continua sendo o motor, responsável por 82% da produção. Em 2025, a estatal alcançou um recorde de média de 2,4 milhões de barris por dia.

Olhando para o futuro, a Margem Equatorial, no litoral norte, é apontada como a principal nova fronteira, comparada a um potencial “novo pré-sal”. A Bacia de Pelotas também ganha destaque, impulsionada por descobertas em regiões geologicamente similares, como Uruguai e Namíbia.

O objetivo da presidente é replicar o sucesso do pré-sal em novas áreas, garantindo o próximo ciclo de crescimento.

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