Portugal quer replicar sucesso de reabilitação em São Paulo? Saiba como!

Descubra como a Contacto Atlântico, de Portugal, replicará o sucesso de reabilitação de Lisboa em São Paulo. Saiba mais!

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(Imagem de reprodução da internet).

A Experiência Portuguesa e o Olhar para o Mercado Brasileiro

Em 2010, Portugal vivia uma crise imobiliária acentuada. Aluguéis congelados por décadas, chegando a custar apenas quatro ou cinco euros mensais, inviabilizavam reformas e deixavam muitos edifícios em avançado estado de deterioração.

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Quinze anos depois, o cenário passou por uma transformação significativa. É exatamente esse ciclo que a Contacto Atlântico, um escritório português com trinta anos de história e responsável pela reabilitação de cerca de cem edifícios na região de Lisboa, pretende replicar no Brasil.

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O Potencial de São Paulo: Um Espelho de Portugal Antigo

Os sócios da empresa acreditam que o Brasil atravessa um momento análogo ao vivido por Portugal no início da década passada. Igor Miranda, responsável pela operação no país, e João Caiado apontam para um diagnóstico baseado em fatores como imóveis degradados, legislação complexa e baixo incentivo econômico para requalificação.

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Mudanças Estruturais em Portugal

Em Portugal, a virada veio com a intervenção do Fundo Monetário Internacional, que condicionou empréstimos a reformas estruturais, incluindo a liberalização das leis de aluguel. Caiado explica que antes era possível manter contratos por 80 anos com pagamentos baixos, o que paralisava qualquer reforma.

A flexibilização permitiu renegociações e indenizações, além da reocupação dos imóveis. Paralelamente, o governo implementou incentivos fiscais importantes, como a redução do IVA de 23% para 6% em obras em edifícios históricos, o que, segundo o executivo, alterou drasticamente a viabilidade financeira dos projetos.

A Consolidação do Retrofit e a Expertise da Empresa

Foi nesse novo contexto que o conceito de retrofit ganhou escala no país, tornando-se quase uma necessidade para arquitetos. Caiado ressalta que, em Portugal, a prática se tornou fundamental, sendo a base de seu trabalho e marketing, já que há poucas oportunidades para novas construções.

Portfólio e Serviços Integrados

A Contacto Atlântico construiu sua reputação em projetos de alta complexidade. Dentre eles, destaca-se a requalificação do histórico jornal Diário de Notícias, que rendeu o Prêmio Valmor, a principal distinção da arquitetura portuguesa. A empresa também atuou em ativos comerciais de marcas renomadas como Louis Vuitton, Massimo Dutti e Zara.

A força da atuação da empresa reside na união de arquitetura, engenharia, design de interiores e paisagismo sob um mesmo guarda-chuva, um modelo que facilita a execução de empreendimentos mais intrincados.

O Interesse Crescente pelo Mercado Paulista e Além

O interesse pelo Brasil surgiu em 2019, durante uma visita de Caiado a São Paulo. O estado dos edifícios no centro da cidade chamou sua atenção, levando-o a comparar as estruturas com exemplos Art Déco mais interessantes que referências como o Rockefeller Center.

Diagnóstico e Projeções para São Paulo

O diagnóstico se fortaleceu em 2023, após uma palestra na Casa Soma, a convite do jornalista Raul Juste Lores. Miranda observou um interesse real e um movimento crescente no setor. Atualmente, a empresa já possui dois projetos em andamento na região do Largo da Batata, considerada muito promissora, com potencial de se consolidar como um dos melhores bairros em 10 a 15 anos.

Para os sócios, o envolvimento transcende o aspecto puramente comercial, carregando um forte interesse cultural em contribuir para a preservação desses espaços. A proposta inicial é focar em projetos de arquitetura, com potencial de expansão futura.

Visão de Futuro para o Brasil

A Contacto Atlântico também monitora oportunidades em outras cidades, como Rio de Janeiro e São Luís, onde os centros históricos apresentam altos índices de degradação. Para eles, o grande potencial do Brasil reside na combinação entre o estoque arquitetônico existente e a demanda reprimida, reforçando a tese de que reutilizar estruturas já existentes é o caminho mais sustentável.

Em suma, a tese de revitalização que transformou Lisboa na última década está começando a ganhar novos contornos do outro lado do Atlântico.

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