Produtores rurais em diversas regiões da Alemanha e França mobilizaram-se nesta quinta-feira (8) para expressar sua oposição ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. As ações, que incluíram bloqueios em estradas, uso de tratores e interrupções no tráfego, intensificam a tensão em torno da votação do tratado, agendada para esta semana em Bruxelas.
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A preocupação central dos agricultores reside na potencial concorrência desigual que o acordo pode impor ao setor agrícola alemão, além de defenderem medidas como a redução de impostos, maior proteção para o mercado doméstico e incentivo ao abastecimento regional.
Bloqueios e Protestos na Alemanha
Na Alemanha, os protestos se concentraram principalmente no norte e leste do país. Em Brandemburgo, a Associação de Agricultores organizou bloqueios que se estenderam até o final da tarde. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as manifestações foram mais contidas, sem causar paralisações significativas no tráfego.
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A Associação de Agricultores Alemães, apesar de criticar o acordo, não participou diretamente das ações.
Reações na França
Na França, os bloqueios começaram antes do amanhecer, com tratores ocupando estradas que levam a Paris e áreas próximas a pontos turísticos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. A A13 ficou completamente bloqueada, gerando congestionamentos consideráveis ao redor da capital.
Os sindicatos rurais franceses argumentam que o acordo UE-Mercosul pode levar a uma inundação de alimentos mais baratos no mercado europeu, e reivindicam respostas para questões internas, como a política de combate a uma doença que afeta o gado.
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Posicionamento Político e Perspectivas
O governo francês tem sido um dos principais opositores ao acordo dentro da União Europeia, mesmo após recentes negociações em Bruxelas. A Comissão Europeia busca amenizar as resistências oferecendo recursos adicionais no próximo orçamento agrícola e ajustando tarifas de importação de insumos.
O apoio da Itália ao acordo, caso confirmado, daria à UE votos suficientes para aprovar o tratado, independentemente da posição francesa. A polícia francesa foi orientada a evitar confrontos com os manifestantes, que são vistos como “não inimigos” pela administração.
