O Sistema Único de Saúde (SUS) implementou uma nova estratégia focada em fortalecer os profissionais da rede básica de saúde, com o objetivo de ampliar o atendimento a casos leves de depressão e ansiedade. Essa iniciativa está sendo testada em três municípios: Aracaju (SE), Santos (SP) e São Caetano do Sul (SP), buscando otimizar o suporte à saúde mental nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
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Mudanças no Protocolo de Atendimento
A nova organização inclui uma formação específica, um protocolo de atendimento detalhado e supervisão contínua para os profissionais envolvidos no acolhimento. O atendimento inicial pode envolver breves interações com o paciente, buscando direcioná-lo de forma eficiente para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
A iniciativa é coordenada pela organização ImpulsoGov, que capacita profissionais do SUS em parceria com a gestão pública.
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Impacto no Diagnóstico e Tratamento
Dados do programa indicam que pacientes que passam pelo acompanhamento inicial apresentam pontuações entre 13 e 14 no PHQ-9, que mede a intensidade da depressão, indicando um quadro moderado. Após o acompanhamento, a pontuação geralmente diminui para sete pontos, correspondendo a depressão leve.
O PHQ-9 é um instrumento padrão para avaliar os sintomas depressivos.
Formação e Técnicas de Acolhimento
A formação dos profissionais inclui 20 horas de aulas teóricas em uma semana, seguidas de cinco meses de atuação prática supervisionada. Durante esse período, os profissionais atendem pacientes reais, recebendo suporte de especialistas. A principal técnica ensinada é o Acolhimento Interpessoal (AIP), que se baseia em uma abordagem centrada na relação com o paciente.
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Continuidade do Tratamento e Ampliação do Programa
Se o profissional avaliar que o paciente não está pronto para receber alta no final do quarto encontro, é possível oferecer quatro sessões adicionais ou realizar o encaminhamento para o CAPS. O psicólogo e assessor técnico em saúde mental da atenção primária de Aracaju, Lucas Rosa Palmeira, destaca a importância de evitar que o paciente fique em longas filas de espera.
Em Aracaju, o programa começou em 2024, e a saúde mental é a terceira condição mais atendida na atenção primária, com uma fila de 10 mil pacientes para consultas com psicólogos e psiquiatras.
Desafios e Perspectivas
A coordenadora da atenção primária na Secretaria Municipal da Saúde, Mayra Oliveira, observou uma redução de 40% a 50% nos sintomas em muitos pacientes, diminuindo a necessidade de encaminhamento para a atenção especializada. No entanto, um dado chama a atenção: apenas 20 dos 40 profissionais que iniciaram a formação concluíram o processo e seguem no atendimento, atuando atualmente em 14 UBSs.
A meta é ampliar o alcance para 100 trabalhadores e o atendimento para 45 unidades básicas da cidade. Um profissional expressou a importância de priorizar o autocuidado para poder oferecer suporte aos outros.
