Proposta polêmica no Bitcoin: congelar ativos contra ataques quânticos! O que BIP-361 fará com os fundos de Satoshi Nakamoto? Saiba mais!
Um grupo de desenvolvedores do Bitcoin apresentou uma proposta controversa visando proteger a criptomoeda e sua rede contra ameaças de ataques quânticos: congelar os ativos de carteiras que não estiverem em endereços considerados à prova de tecnologia quântica.
Essa medida afetaria até mesmo as carteiras dos bitcoins de Satoshi Nakamoto, o criador da moeda.
A proposta, denominada BIP-361, sugere que, se aprovada, todos esses criptoativos seriam permanentemente congelados, sem qualquer possibilidade de recuperação dos fundos. É importante notar que Nakamoto detém cerca de 1,1 milhão de bitcoins, mantidos inalterados desde 2011, data em que o desenvolvedor enviou seu último e-mail.
Historicamente, nos primeiros anos do Bitcoin, a chave pública das carteiras era visível na própria blockchain. Embora isso não represente um risco com a computação tradicional, um computador quântico teria a capacidade de usar essa informação para descobrir a chave privada e, consequentemente, acessar os fundos guardados.
Dessa forma, a ideia central é modificar os endereços de bitcoin para que operem em um ambiente mais seguro, resistente à quebra de criptografia por máquinas quânticas. O grande ponto de preocupação, contudo, reside no fato de que os endereços mais antigos permaneceriam expostos a esse risco.
Os desenvolvedores avaliam a possibilidade de congelar essas carteiras antigas, que atualmente representam 34% de todos os bitcoins já emitidos. Isso implicaria que os ativos contidos nesses endereços não poderiam mais ser sacados de forma alguma.
O texto da BIP-361 justifica essa ação drástica alegando que “Nunca antes o Bitcoin enfrentou uma ameaça existencial à sua criptografia primitiva. Um ataque quântico bem-sucedido ao Bitcoin resultaria em significativa perturbação econômica e danos em todo o ecossistema”.
O desenvolvedor Jameson Lopp, conhecido cypherpunk, engenheiro de software e maximalista do bitcoin, é quem lidera publicamente a proposta. Lopp afirmou que, embora ele próprio não goste da ideia, considera que a alternativa — deixar as criptomoedas vulneráveis a roubos por hackers com computadores quânticos — seria ainda pior.
Em uma postagem, Lopp esclareceu que “Não se trata de uma especificação, nem de uma proposta de ativação. É uma ideia inicial para um plano de contingência que precisa de mais pesquisa e desenvolvimento”.
A comunidade reagiu à ideia de Lopp com bastante ceticismo. O perfil TFTC argumentou que a rede do Bitcoin poderia se recuperar de um roubo causado por tecnologia quântica, mas jamais se recuperaria do precedente estabelecido por um congelamento de ativos aprovado pelo consenso dos desenvolvedores.
Segundo os críticos, o próximo passo seria que governos utilizassem esse precedente para solicitar o congelamento de criptomoedas sancionadas. Eles apontam que a principal característica do Bitcoin é a imutabilidade, e a BIP-361 ameaça retirar essa característica fundamental.
Como as alterações no Bitcoin exigem aprovação por consenso, a decisão sobre a BIP-361 deve passar por um intenso debate. Caso não haja acordo, isso pode levar a um fork na rede. Forks em blockchains ocorrem quando há uma modificação no código, e se parte da comunidade rejeitar o protocolo alterado, uma nova criptomoeda pode surgir.
Um exemplo disso foi o caso do bitcoin cash, em 2017, quando desenvolvedores descontentes forçaram uma divisão que resultou na coexistência de dois tokens, o BTC e o BCH.
A comunidade aguarda o desdobramento desse debate técnico, que definirá o futuro da segurança e da autonomia dos ativos digitais.
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