PT encaminha vereador à Comissão de Ética por Operação Última Parada

PT aciona comissão ética após vereador ser investigado por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro.

25/06/2026 14:59

3 min

Divulgação/AFONSO BRAGA
Divulgação/AFONSO BRAGA

O Partido dos Trabalhadores (PT), em nota divulgada recentemente, comunicou que encaminhará à Comissão de Ética do partido o caso envolvendo seu vereador Senival Moura.

A ação faz parte das investigações decorrentes da Operação Última Parada, uma investigação focada no suposto esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizando como fachada a empresa Transunião, prestadora de serviços de transporte coletivo na cidade de São Paulo e região metropolitana.

Operação revela esquemas criminosos com empresas

As autoridades prenderam cinco indivíduos durante os mandados judiciais cumpridos nesta quinta – feira. Entre eles estavam integrantes ligados à facção PCC, o presidente atual da concessionária e até mesmo um vereador do PT envolvido nos desdobramentos investigativos.

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O Ministério Público e a Polícia Civil apuraram que havia provas robustas indicando uso da companhia para ocultar ou movimentar recursos provenientes diretamente das atividades ilícitas do crime organizado.

Núcleo paralelo controlava finanças. A investigação identificou ainda uma estrutura interna na Transunião: um núcleo paralelo responsável por controlar decisões estratégicas de grande impacto financeiro junto ao grupo criminoso.

Um ponto alarmante levantado foi também o crescimento patrimonial acelerado. O capital social, segundo os investigadores, saltou drasticamente — passando pouco mais de R100 mil até ultrapassar a marca dos R 50 milhões —, sem que houvesse esclarecimento sobre a origem desses recursos para tal expansão.

Impactos e medidas judiciais contra concessionária

Desde as primeiras horas do dia em questão (25), centenas de agentes das unidades Deic e Gaeco cumpriram mandados Judiciais tanto na cidade de São Paulo quanto no município vizinho de Extrema, Minas Gerais.

A Justiça determinou o bloqueio imediato e sequestro total de R 194 milhões. Além disso, foram apreendidos um grande número de bens: mais de cem veículos, vinte e um imóveis e três embarcações ligadas aos investigados ou à própria empresa Transunião.

O Poder Judiciário também ordenou afastamento dos diretores da concessionária em caráter emergencial. A Prefeitura foi notificada para que adote as medidas administrativas necessárias visando garantir a continuidade do serviço público às pessoas paulistanas.

Histórico das apurações no transporte

Essa nova ofensiva não é inédita na cidade; ela ocorre pouco mais de um ano após o desmantelamento realizado pela Operação Fim da Linha (2024). Naquela ocasião, foram descobertas duas organizações criminosas utilizando empresas como UPBus e Transwolff — ambas responsáveis por transportar cerca de 700 mil passageiros diariamente —, com recursos provenientes de tráfico e roubos atribuídos ao PCC.

Ambas receberam acima de R 800 milhões apenas em 2023.

Os investigadores também fizeram conexões entre este esquema financeiro apurado agora e outras operações já realizadas no combate a grupos do crime organizado; citou – se as ações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi (conduzida pela Polícia Federal), que investigaram o tráfego internacional de drogas envolvendo o próprio PCC junto à organização mafiosa italiana ’Ndrangheta.

Posicionamento político sobre os fatos

Apesar da gravidade das acusações contra Transunião, o Diretório Municipal do PT em São Paulo manteve uma posição oficial: não compactuam com nenhuma prática ilícita. A legenda afirmou ainda apoiar integralmente todas as iniciativas empreendidas pelas forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado.

Por outro lado, a defesa dos envolvidos negou qualquer vínculo criminoso; Anderson Minichillo garantiu que todo crescimento financeiro teria vindo por meio de investimentos feitos pelos cooperados e prometeu provar essa alegação judicialmente.

Enquanto isso, tanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) quanto a SPTrans confirmaram à população que o serviço está normalizado, mantendo toda sua frota operando sem prejuízo para os usuários das linhas sob responsabilidade da Transunião. O município aguarda agora apenas uma notificação oficial do Judiciário sobre como procederá com as próximas etapas administrativas necessárias ao setor.**

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