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Putin diz que a Rússia não quer brigar com a Otan e acha o discurso de Biden sem sentido


Putin diz que a Rússia não quer brigar com a Otan e acha o discurso de Biden sem sentido
(Foto Reprodução da Internet)

Vladimir Putin, considerou totalmente absurdas as observações do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de que a Rússia atacaria um país da Otan se ganhasse a guerra na Ucrânia, acrescentando que o governo russo não tem interesse em combater a aliança militar do Ocidente.

A guerra na Ucrânia causou uma grande crise nas relações entre Moscou e o Ocidente. Biden avisou que se a Otan e a Rússia entrarem em conflito direto, poderia ocorrer uma Terceira Guerra Mundial.

Em um apelo aos republicanos para não bloquearem mais ajuda militar no início deste mês, Biden advertiu que, se Putin vencer a Ucrânia, o líder russo não irá parar e atacará um país da Otan.

“É um completo disparate [a declaração de Biden], e penso que o presidente Biden compreende isso”, afirmou Putin em entrevista publicada neste domingo (17) pela televisão estatal Rossiya, acrescentando que o presidente norte-americano parece estar tentando justificar sua própria “política equivocada” em relação à Rússia.

“A Rússia não tem motivo, não tem interesse, nenhum interesse geopolítico, nem econômico, político ou militar para lutar com os países da Otan”, ressaltou.

A Otan é uma aliança militar liderada pelos EUA e foi criada em 1949 para garantir segurança ao Ocidente contra a União Soviética. Depois do fim da União Soviética em 1991, a aliança foi expandida para incluir alguns países que eram parte do bloco socialista e do Pacto de Varsóvia.

Putin criticou repetidamente o aumento da Otan após a Guerra Fria, alegando que o Ocidente tem lidado de maneira arrogante com as preocupações de segurança da Rússia.

Segundo o artigo 5 do tratado da Otan, as partes concordam que um ataque armado contra uma ou mais delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque contra todas elas.

Putin destacou que a entrada da Finlândia na Otan em abril forçaria a Rússia a “concentrar certas unidades militares” no norte de seu território, perto da fronteira.

A contraofensiva da Ucrânia este ano não teve sucesso, o que fez com que surgissem dúvidas no Ocidente e dentro da própria Ucrânia sobre a possibilidade de eliminar as forças russas e alcançar os objetivos desejados.

Tanto autoridades em Moscou quanto no Ocidente têm mencionado uma “nova Guerra Fria” frequentemente, onde Rússia e China estão em um lado e o Ocidente no outro.

Quando perguntado sobre como chegar a um acordo com o Ocidente, considerando os discursos de ambos os lados, Putin respondeu: “Eles precisarão buscar um ponto de convergência, pois contarão com a nossa presença”.

Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que falou sob condição de anonimato, disse no mês passado que Putin não faria a paz antes de conhecer os resultados das eleições de novembro nos Estados Unidos.

O presidente russo apontou que o Ocidente não entendeu completamente as mudanças ocorridas após o fim da União Soviética em 1991. Segundo ele, essas mudanças eliminaram qualquer base ideológica real para um conflito entre a Rússia e o Ocidente.

“Eu tive uma impressão ingênua”, disse Putin, um ex-espião da KGB que se tornou presidente em 1999, ao falar sobre suas visões do mundo em 2000.

“A realidade é que depois da queda da União Soviética, eles consideraram que só tinham de esperar um pouco para destruir completamente a Rússia”, ponderou.

Putin classifica a guerra como parte de uma luta muito maior com os Estados Unidos, que a elite do Kremlin diz ter como objetivo separar a Rússia, apoderar-se dos seus vastos recursos naturais e depois voltar-se para o acerto de contas com a China.

O Ocidente, que apresenta a Rússia e a China como as suas principais ameaças, afirma não ter planos para destruir a Rússia. A Ucrânia diz que não descansará até que todos os soldados russos sejam expulsos do seu território.


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