QAV dispara! Natalie Verndl explica como a valorização do petróleo e tensões globais elevam custos aéreos no Brasil. Saiba o impacto!
A economista Natalie Verndl, delegada do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), aponta que um “choque externo relevante, associado à valorização do petróleo no mercado internacional, à taxa de câmbio e à forma como esse produto é precificado” é o principal motor da recente elevação do querosene de aviação (QAV).
Com reajustes que ultrapassaram 50%, o combustível voltou ao centro das preocupações do setor aéreo. Por ser um produto dolarizado e ligado ao mercado global de energia, o QAV reflete diretamente as flutuações externas, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
No contexto brasileiro, esse impacto se torna ainda mais perceptível. A dependência de importações e a maneira como os custos internacionais são repassados ao mercado interno aumentam a pressão sobre toda a estrutura do setor.
“Não se trata de um problema de gestão das companhias aéreas, mas de uma consequência de um cenário global que pressiona toda a estrutura de custos”, afirma Verndl. Ela ressalta que esse fenômeno é observado em outros países, com destaque para a Europa.
Dados de mercado indicam que o peso do combustível nos custos das empresas cresceu consideravelmente, passando de cerca de 30% para até 45% após reajustes acumulados superiores a 60% entre março e abril. Esse aumento eleva o risco de ajustes nas tarifas, mesmo que de maneira gradual.
Segundo a especialista, o aumento dos preços não ocorre de forma imediata. As tarifas aéreas tendem a reagir com um certo atraso às variações do combustível, sendo influenciadas por fatores como a demanda, a sazonalidade e as estratégias comerciais das companhias.
Apesar dessa defasagem natural, o tempo para absorver os custos elevados é limitado. Verndl explica que “o setor aéreo opera com margens apertadas, o que torna economicamente difícil evitar o repasse no médio prazo”.
Em rotas mais competitivas, as empresas podem manter os preços estáveis por um tempo para preservar sua participação no mercado. Contudo, a tendência, caso a alta de preços se mantenha, aponta para reajustes parciais nas tarifas, afetando o preço das passagens em um cenário de maior sensibilidade aos choques do petróleo.
Diante deste quadro, o governo federal implementou medidas visando amenizar o impacto. Entre elas, destacam-se a redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o QAV até maio de 2026, e a criação de um regime emergencial para estabilizar o abastecimento de combustíveis, além de ações em outros itens, como diesel e biocombustíveis.
Para Verndl, essas ações são úteis, mas possuem um alcance restrito. Ela pondera que elas “funcionam como um amortecedor, reduzindo a velocidade do repasse ao consumidor, mas não resolvem o problema estrutural”.
Os desafios persistentes de longo prazo incluem a alta carga tributária, gargalos logísticos, a concentração na cadeia de suprimentos e a vulnerabilidade cambial que afetam o setor aéreo.
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