QAV dispara: Natalie Verndl explica o impacto do petróleo e o futuro das tarifas aéreas

QAV dispara! Natalie Verndl explica como a valorização do petróleo e tensões globais elevam custos aéreos no Brasil. Saiba o impacto!

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Fatores Globais Impulsionam Alta do Querosene de Aviação e Preços Aéreos

A economista Natalie Verndl, delegada do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), aponta que um “choque externo relevante, associado à valorização do petróleo no mercado internacional, à taxa de câmbio e à forma como esse produto é precificado” é o principal motor da recente elevação do querosene de aviação (QAV).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com reajustes que ultrapassaram 50%, o combustível voltou ao centro das preocupações do setor aéreo. Por ser um produto dolarizado e ligado ao mercado global de energia, o QAV reflete diretamente as flutuações externas, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Impacto do Mercado Global no Brasil

No contexto brasileiro, esse impacto se torna ainda mais perceptível. A dependência de importações e a maneira como os custos internacionais são repassados ao mercado interno aumentam a pressão sobre toda a estrutura do setor.

LEIA TAMBÉM!

Cenário de Custos Elevados

“Não se trata de um problema de gestão das companhias aéreas, mas de uma consequência de um cenário global que pressiona toda a estrutura de custos”, afirma Verndl. Ela ressalta que esse fenômeno é observado em outros países, com destaque para a Europa.

Dados de mercado indicam que o peso do combustível nos custos das empresas cresceu consideravelmente, passando de cerca de 30% para até 45% após reajustes acumulados superiores a 60% entre março e abril. Esse aumento eleva o risco de ajustes nas tarifas, mesmo que de maneira gradual.

Atraso no Repasse e Perspectivas de Reajustes Tarifários

Segundo a especialista, o aumento dos preços não ocorre de forma imediata. As tarifas aéreas tendem a reagir com um certo atraso às variações do combustível, sendo influenciadas por fatores como a demanda, a sazonalidade e as estratégias comerciais das companhias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Limites para Absorção de Custos

Apesar dessa defasagem natural, o tempo para absorver os custos elevados é limitado. Verndl explica que “o setor aéreo opera com margens apertadas, o que torna economicamente difícil evitar o repasse no médio prazo”.

Em rotas mais competitivas, as empresas podem manter os preços estáveis por um tempo para preservar sua participação no mercado. Contudo, a tendência, caso a alta de preços se mantenha, aponta para reajustes parciais nas tarifas, afetando o preço das passagens em um cenário de maior sensibilidade aos choques do petróleo.

Medidas Governamentais e Desafios Estruturais de Longo Prazo

Diante deste quadro, o governo federal implementou medidas visando amenizar o impacto. Entre elas, destacam-se a redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o QAV até maio de 2026, e a criação de um regime emergencial para estabilizar o abastecimento de combustíveis, além de ações em outros itens, como diesel e biocombustíveis.

Para Verndl, essas ações são úteis, mas possuem um alcance restrito. Ela pondera que elas “funcionam como um amortecedor, reduzindo a velocidade do repasse ao consumidor, mas não resolvem o problema estrutural”.

Os desafios persistentes de longo prazo incluem a alta carga tributária, gargalos logísticos, a concentração na cadeia de suprimentos e a vulnerabilidade cambial que afetam o setor aéreo.

Sair da versão mobile