Quase 30% das cidades brasileiras não resistem às mudanças climáticas

Quase um terço das cidades brasileiras enfrenta risco climático e financeiro crítico devido às mudanças climáticas.

22/07/2026 13:33

4 min

Casas destruídas após enchente que atingiu todo Rio Grande do Sul. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Casas destruídas após enchente que atingiu todo Rio Grande do Su...

O Rio Grande do Sul enfrenta um novo ciclo de atenção meteorológica após os devastadores eventos climáticos que assolavam a região em . Dois anos depois da catástrofe — marcada pela perda de centenas de vidas e casas destruídas —, o estado encontra – se sob alerta desde o início desta semana devido aos efeitos severos das mudanças no regime habitual de chuvas.

A Defesa Civil gaúcha divulgou boletim neste domingo, dia 19, alertando para alto risco. A previsão aponta “chuvas intensas e volumosas em curto espaço de tempo”, com potencial acumulado chegando até 120 milímetros alguns pontos do território estadual.

Além disso, há alertas sobre a ocorrência de tempestades isoladas que podem trazer queda de granizo ou rajadas fortes de vento.

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Mapeamento da vulnerabilidade: quase um terço dos municípios brasileiros está exposto

O cenário climático no Brasil é complexo, como revelam dois levantamentos recentes publicados neste mês. Um deles foca na capacidade financeira das cidades para enfrentar desastres naturais e aponta uma grave situação estrutural em grande parte do país.

Segundo o Observatório do Clima (OC), foi possível cruzar dados governamentais — informações sobre riscos coletados pela plataforma Adapta Brasil, mantida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com os indicadores de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional.

O resultado mostra que municípios brasileiros – representando quase 30% dos totalizados por meio da pesquisa no cruzamentos entre risco ambiental elevado e baixa aptidão financeira— estão classificados como estando sob dupla vulnerabilidade climática e fiscal.

A análise detalhou a Região Norte em situação crítica: Acre registra o maior índice na lista (77%), seguido por Maranhão (75%), Amapá (%) e Tocantins (60 %). Outros estados nordestinos, incluindo Alagoas, Paraíba ou Piauí, também apresentam mais de metade do seu município nessa condição.

Em contraste, Espírito Santo (%), São Paulo (3% ) e Santa Catarina (5% ) saíram com os melhores índices.

Acúmulo histórico de desastres climáticos no país

Um segundo estudo oferece uma perspectiva histórica sobre o tema ao analisar dados entre e . A pesquisa aponta que quase nove em cada dez municípios brasileiros (totalizando 5.097) sofreram pelo menos um acidente grave ligado às mudanças do clima — seja por secas, inundações ou deslizamentos.

Em todo esse período, foram registrados mais deacidentes ambientais distintos; esses eventos atingiram direta ou indiretamente cerca de\ pessoas no Brasil inteiro. O impacto humano foi severo: o estudo contabilizou perdas superiores a quatro mil e quinhentos óbitos humanos até agora.

As estimativas econômicas apontam prejuízos que ultrapassam os 123 bilhões dólares.

Destaques regionais por tipo de desastre. Ao analisar as regiões, dados mais recentes mostram um padrão claro nos tipos de catástrofes climáticas; inundações afetaram principalmente áreas do Sul enquanto tempestades fortes foram registradas no Sudeste — já secas concentraram maior impacto na Região Norte e Nordestina.

Os deslizamentos tiveram o papel principal nas mortes: a região Serrana fluminense é citada como exemplo máximo. Nova Friburgo lidera esse ranking com 432 óbitos registrados em caso específico desse evento macabro top five que também inclui Teresópolis (com vítimas) e Petrópolis (.

Por outro lado, as enchentes atingiram todo País; por sua vez, embora tenham causado um menor número de vidas perdidas (apenas), foram justamente as secas suas consequências mais graves financeiramente — causando prejuízo estimado superior aos 72.5\ bilhões\ .

A urgência da adaptação climática

Diante do fato alarmante dos municípios mais expostos serem também aqueles com a capacidade mínima para resposta e recuperação, organizações ambientalistas defendem uma reestruturação urgente no financiamento destinado à adaptação ao aquecimento global em nível nacional.

“Mesmo apesar de haver expansão do Fundo Clima”, alerta Adriana Pinheiro, assessora política do Observatório do Clima, ” os recursos continuam concentrados apenas em operações reembolsáveis — ou seja, empréstimos —, tornando o acesso difícil aos territórios que precisam disso.

A própria questão é: enquanto isso, ainda há um subfinanciamento da área.”

As ONGs sugerem a criação imediata e efetiva de um fundo específico para essa finalidade; esse recurso deveria ser direcionado com volume significativo não – reembolsável diretamente nos municípios mais vulneráveis.

“O orçamento público nem mesmo os fundos extraorçamentários têm sido suficientes”, afirma uma nota técnica elaborada pelo OC enviada ao ministro do Meio Ambiente João Paulo Capobianco, reforçando como o planejamento estruturante exige fontes estáveis.

O coordenador Pedro Aranha lamenta que, apesar dos planos locais começarem a surgir em alguns governos municipais — incluindo Santa Catarina ou Paraná —, eles carecem fundamentalmente da mobilização popular necessária contra desastres climáticos iminentes.”

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