Consumo de Fertilizantes no Brasil Pode Cair em 2026, Aponta Rabobank
A previsão é de que o Brasil reduza o consumo de fertilizantes em 2026, interrompendo um período de crescimento intenso. O banco holandês Rabobank projetou uma queda para 47,2 milhões de toneladas, uma redução significativa em relação aos 49,1 milhões de toneladas registrados em 2025. Essa estimativa surge em um contexto de custos elevados e margens apertadas para os produtores rurais.
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Segundo o Rabobank, a mudança no cenário se deve a uma combinação de fatores que já estavam em curso antes do início do conflito. O mercado de fertilizantes já apresentava sinais de alta nos preços, com a ureia e os fosfatados (MAP) liderando o aumento. A situação foi agravada pela instabilidade geopolítica, especialmente no Oriente Médio.
Estreito de Ormuz e Impacto nos Preços
O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo, intensificou as preocupações com o mercado de fertilizantes. O Irã anunciou um projeto de lei para cobrar pedágio de navios que transitam pela região, buscando gerar novas receitas. Essa situação, somada à volatilidade nos preços da energia, elevou os custos diretos e indiretos dos insumos agrícolas.
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O relatório do Rabobank destaca que o risco incorporado neste cenário é diferente de episódios anteriores. O bloqueio de rotas estratégicas e a instabilidade nos preços da energia não apenas aumentam os custos dos fertilizantes, mas também impactam as despesas logísticas, como o transporte de combustíveis. Essa combinação de fatores exerce pressão sobre os custos de produção, afetando diversas cadeias do agronegócio.
Soja, Milho e Cana-de-Açúcar em Rotação
Culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, que já operam com margens mais estreitas, dependem fortemente dos fertilizantes para a formação de seus custos de produção. A expectativa é que a elevação nos preços dos insumos influencie as decisões dos produtores na safra 2026/27.
O banco holandês aponta que os fertilizantes deixaram de ser apenas uma variável técnica na produção agrícola, tornando-se um componente diretamente influenciado por fatores macroeconômicos e geopolíticos. Essa nova dinâmica tende a redefinir as estratégias dos produtores rurais nos próximos ciclos.
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Impactos e Desafios para o Agronegócio
A redução projetada no consumo de fertilizantes, combinada com o aumento nos preços, representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro. Produtores já enfrentam margens apertadas e a nova realidade exige medidas para mitigar os impactos, como a busca por alternativas de financiamento, a otimização do uso de insumos e a diversificação de culturas.
O timing das importações também é um fator crucial. Cerca de 70% da ureia importada pelo Brasil chega em maio, o que significa que parte do impacto da crise ainda pode se materializar ao longo do ano. A situação exige acompanhamento constante e adaptação das estratégias dos produtores.
